A evolução de projetos de ativos digitais para organizações autônomas descentralizadas(DAO) é um processo de delegação de poder progressiva. No núcleo dessa transformação está o token de governança, que funciona como um mecanismo de atribuição de direitos de voto à comunidade.
O valor da descentralização no finanças descentralizadas
A essência do atrativo dos ativos digitais reside na sua característica de descentralização. Contudo, todos os projetos começam, na fase inicial, sob gestão centralizada pela equipe fundadora. O design do código, a implementação de funcionalidades, as decisões estratégicas — tudo está sob o julgamento dos criadores.
Essa fase é inevitável. Até que o projeto ganhe tração, decisões rápidas e liderança forte são essenciais. No entanto, a visão de longo prazo do DeFi e do web3 aponta para uma transferência completa de poder à comunidade.
Transferência gradual de poder baseada em tokens de governança
Para que um projeto se torne uma DAO, não basta simplesmente abdicar do poder; é necessário um roteiro sistemático. O primeiro passo é o design e a implementação do token de governança.
Decentraland é um exemplo representativo dessa abordagem. O projeto iniciou com a criação da Decentraland Foundation e disponibilizou um fórum comunitário para troca de opiniões. Depois, introduziu os tokens MANA e LAND, criando um sistema de direitos de voto para os detentores.
Os detentores de tokens de governança podem propor mudanças na plataforma, votar e decidir sobre o uso do tesouro comunitário. Esse mecanismo transforma os usuários comuns em “stakeholders” (partes interessadas).
Expansão e testes progressivos dos direitos de voto
A transferência de poder não ocorre de uma só vez. A Decentraland passou por várias fases de tentativa.
Inicialmente, começou com votos consultivos, sem força vinculativa. Essa etapa serve para testar o mecanismo de votação e o processo de governança sem riscos ao protocolo. Depois, avançou para a implementação de parâmetros limitados, como taxas e juros, via votação on-chain. Por fim, evoluiu para votações mais abrangentes sobre mudanças no protocolo e distribuição do tesouro.
Essa abordagem progressiva minimiza os riscos ao sistema até que a comunidade adquira experiência suficiente.
Critérios para alcançar autonomia total de uma DAO
Para que um projeto seja uma verdadeira organização autônoma descentralizada, a equipe fundadora deve abdicar de todo controle. Isso não é uma decisão meramente formal, mas uma transferência concreta de poder.
Abandono completo do controle sobre alterações no código
Gestão comunitária total do tesouro
Alterações no protocolo, correções de bugs e adição de funcionalidades somente mediante consenso da comunidade
Se compararmos o tesouro comunitário a um “cofre” e o token de governança a uma “chave”, quando esses forem totalmente transferidos à comunidade, o próprio código se torna a única lei. As mudanças passam a ser executadas não por ordens dos fundadores, mas pela vontade da comunidade.
Autossuficiência financeira e construção de um ciclo de receitas
Um DAO totalmente funcional necessita de uma fonte de financiamento independente. As receitas geradas por taxas de transação, juros de empréstimos e outros mecanismos fluem diretamente para o tesouro comunitário. Depois, a comunidade propõe e decide, por votação, como distribuir esses fundos.
Assim, o DAO consegue operar e evoluir de forma autônoma, sem depender do suporte da equipe fundadora.
Exemplos de projetos que buscam uma transição rápida
Alguns projetos adotam cronogramas de DAO mais agressivos. O No NPC Society, que vem ganhando destaque na comunidade de ativos digitais, é um exemplo notório.
O roadmap de transição do projeto prevê a transferência do tesouro e do poder de governança para a comunidade em até 6 meses após as rodadas de venda privada e pública de tokens. Para isso, utilizam a plataforma Realms da Solana para estruturar a DAO e fazem o token NONPC funcionar como token de governança.
Para aumentar a transparência, utilizam multi-signature wallets para gerenciar processos democráticos, oferecendo total visibilidade à comunidade. A equipe fundadora planeja gradualmente se retirar, passando a atuar em pé de igualdade com os membros da comunidade.
Principais desafios na gestão de DAOs e estratégias de enfrentamento
Embora seja fácil imaginar um DAO ideal, sua implementação apresenta diversos obstáculos.
Problema de lentidão na tomada de decisão: processos complexos de proposição podem atrasar as decisões. Soluções incluem estruturar propostas, explicar claramente os impactos e usar opções binárias simples de “aprovar ou rejeitar”.
Baixa participação nas votações: muitos membros não participam das votações. Incentivos à participação e mecanismos de recompensa às atividades do DAO podem ajudar.
Domínio de “baleias” (detentores de grandes volumes de tokens): poucos grandes detentores podem exercer influência excessiva. Para mitigar, é possível adotar modelos avançados de votação, como o voto quadrático.
Inovando nos mecanismos de votação para garantir equidade
Votar apenas com base na quantidade de tokens pode refletir desigualdades econômicas. Diversas técnicas podem criar sistemas de governança mais democráticos.
Governança baseada em reputação: o peso do voto não é determinado pelo volume de tokens, mas pela contribuição pessoal ao projeto. Valorizam-se a participação de longo prazo e as contribuições de desenvolvedores.
Voto quadrático (Quadratic Voting): mecanismo que reduz o peso do voto de grandes detentores. O poder de voto é proporcional à raiz quadrada do volume de tokens, ajudando a aliviar a concentração de riqueza.
Essas técnicas possibilitam uma governança mais ampla e inclusiva.
Caminho para a maturidade de uma DAO e indicadores de maturidade
O caminho para uma DAO totalmente autônoma não se limita a superar desafios técnicos. É preciso que uma comunidade estabelecida esteja suficientemente testada e funcional antes de avançar.
A decisão de transferir o controle para a comunidade demonstra maturidade do projeto e compromisso com a descentralização. Quando o poder e a propriedade estiverem dispersos por uma grande comunidade global, a longevidade e a confiabilidade do projeto aumentam significativamente.
A realização do verdadeiro valor dos ativos digitais reside nesse processo de transferência gradual de poder e na implementação de mecanismos de decisão abrangentes por meio de tokens de governança.
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Evolução para a autonomização de DAOs através de tokens de governança
A evolução de projetos de ativos digitais para organizações autônomas descentralizadas(DAO) é um processo de delegação de poder progressiva. No núcleo dessa transformação está o token de governança, que funciona como um mecanismo de atribuição de direitos de voto à comunidade.
O valor da descentralização no finanças descentralizadas
A essência do atrativo dos ativos digitais reside na sua característica de descentralização. Contudo, todos os projetos começam, na fase inicial, sob gestão centralizada pela equipe fundadora. O design do código, a implementação de funcionalidades, as decisões estratégicas — tudo está sob o julgamento dos criadores.
Essa fase é inevitável. Até que o projeto ganhe tração, decisões rápidas e liderança forte são essenciais. No entanto, a visão de longo prazo do DeFi e do web3 aponta para uma transferência completa de poder à comunidade.
Transferência gradual de poder baseada em tokens de governança
Para que um projeto se torne uma DAO, não basta simplesmente abdicar do poder; é necessário um roteiro sistemático. O primeiro passo é o design e a implementação do token de governança.
Decentraland é um exemplo representativo dessa abordagem. O projeto iniciou com a criação da Decentraland Foundation e disponibilizou um fórum comunitário para troca de opiniões. Depois, introduziu os tokens MANA e LAND, criando um sistema de direitos de voto para os detentores.
Os detentores de tokens de governança podem propor mudanças na plataforma, votar e decidir sobre o uso do tesouro comunitário. Esse mecanismo transforma os usuários comuns em “stakeholders” (partes interessadas).
Expansão e testes progressivos dos direitos de voto
A transferência de poder não ocorre de uma só vez. A Decentraland passou por várias fases de tentativa.
Inicialmente, começou com votos consultivos, sem força vinculativa. Essa etapa serve para testar o mecanismo de votação e o processo de governança sem riscos ao protocolo. Depois, avançou para a implementação de parâmetros limitados, como taxas e juros, via votação on-chain. Por fim, evoluiu para votações mais abrangentes sobre mudanças no protocolo e distribuição do tesouro.
Essa abordagem progressiva minimiza os riscos ao sistema até que a comunidade adquira experiência suficiente.
Critérios para alcançar autonomia total de uma DAO
Para que um projeto seja uma verdadeira organização autônoma descentralizada, a equipe fundadora deve abdicar de todo controle. Isso não é uma decisão meramente formal, mas uma transferência concreta de poder.
Se compararmos o tesouro comunitário a um “cofre” e o token de governança a uma “chave”, quando esses forem totalmente transferidos à comunidade, o próprio código se torna a única lei. As mudanças passam a ser executadas não por ordens dos fundadores, mas pela vontade da comunidade.
Autossuficiência financeira e construção de um ciclo de receitas
Um DAO totalmente funcional necessita de uma fonte de financiamento independente. As receitas geradas por taxas de transação, juros de empréstimos e outros mecanismos fluem diretamente para o tesouro comunitário. Depois, a comunidade propõe e decide, por votação, como distribuir esses fundos.
Assim, o DAO consegue operar e evoluir de forma autônoma, sem depender do suporte da equipe fundadora.
Exemplos de projetos que buscam uma transição rápida
Alguns projetos adotam cronogramas de DAO mais agressivos. O No NPC Society, que vem ganhando destaque na comunidade de ativos digitais, é um exemplo notório.
O roadmap de transição do projeto prevê a transferência do tesouro e do poder de governança para a comunidade em até 6 meses após as rodadas de venda privada e pública de tokens. Para isso, utilizam a plataforma Realms da Solana para estruturar a DAO e fazem o token NONPC funcionar como token de governança.
Para aumentar a transparência, utilizam multi-signature wallets para gerenciar processos democráticos, oferecendo total visibilidade à comunidade. A equipe fundadora planeja gradualmente se retirar, passando a atuar em pé de igualdade com os membros da comunidade.
Principais desafios na gestão de DAOs e estratégias de enfrentamento
Embora seja fácil imaginar um DAO ideal, sua implementação apresenta diversos obstáculos.
Problema de lentidão na tomada de decisão: processos complexos de proposição podem atrasar as decisões. Soluções incluem estruturar propostas, explicar claramente os impactos e usar opções binárias simples de “aprovar ou rejeitar”.
Baixa participação nas votações: muitos membros não participam das votações. Incentivos à participação e mecanismos de recompensa às atividades do DAO podem ajudar.
Domínio de “baleias” (detentores de grandes volumes de tokens): poucos grandes detentores podem exercer influência excessiva. Para mitigar, é possível adotar modelos avançados de votação, como o voto quadrático.
Inovando nos mecanismos de votação para garantir equidade
Votar apenas com base na quantidade de tokens pode refletir desigualdades econômicas. Diversas técnicas podem criar sistemas de governança mais democráticos.
Governança baseada em reputação: o peso do voto não é determinado pelo volume de tokens, mas pela contribuição pessoal ao projeto. Valorizam-se a participação de longo prazo e as contribuições de desenvolvedores.
Voto quadrático (Quadratic Voting): mecanismo que reduz o peso do voto de grandes detentores. O poder de voto é proporcional à raiz quadrada do volume de tokens, ajudando a aliviar a concentração de riqueza.
Essas técnicas possibilitam uma governança mais ampla e inclusiva.
Caminho para a maturidade de uma DAO e indicadores de maturidade
O caminho para uma DAO totalmente autônoma não se limita a superar desafios técnicos. É preciso que uma comunidade estabelecida esteja suficientemente testada e funcional antes de avançar.
A decisão de transferir o controle para a comunidade demonstra maturidade do projeto e compromisso com a descentralização. Quando o poder e a propriedade estiverem dispersos por uma grande comunidade global, a longevidade e a confiabilidade do projeto aumentam significativamente.
A realização do verdadeiro valor dos ativos digitais reside nesse processo de transferência gradual de poder e na implementação de mecanismos de decisão abrangentes por meio de tokens de governança.