A recente controvérsia do evento de 1800BTC no ecossistema Bitcoin não é apenas uma questão de movimentação de fundos. O que essa situação revela são perguntas mais fundamentais. Trata-se da confiabilidade dos dados de TVL, amplamente utilizados na indústria. Questionamentos levantados por profissionais do setor, como o educador Happy, — como a duplicação de UTXOs em múltiplos projetos — expõem de forma crua problemas estruturais que até agora evitávamos encarar.
UTXO, múltiplas aprovações e a verdade técnica sobre o aumento artificial do TVL
Ao analisar essa questão sob uma perspectiva técnica, surgem contradições interessantes. Devido às características do modelo UTXO (Unspent Transaction Output), um mesmo UTXO não pode ser aprovado várias vezes ou alocado em múltiplos projetos simultaneamente. Mesmo com a aplicação de Hash Time Lock, cada UTXO só pode ser bloqueado para um único destino de cada vez. Portanto, tecnicamente, não seria possível calcular o mesmo ativo como TVL de vários projetos ao mesmo tempo.
Contudo, a realidade é diferente. Ao rastrear o fluxo de capital na blockchain, é possível identificar endereços de garantia que os projetos não divulgam publicamente. Investidores verificam se o projeto realmente controla determinados endereços. Os dados de TVL concentram-se principalmente nesses endereços. O problema surge quando as equipes de projeto, por meio de empréstimos de grandes investidores, inflacionam o valor desses endereços.
Carteiras MPC, ‘fundos mortos’ e a análise da estrutura operacional do 머클린
Um exemplo claro dessa prática é o projeto Merlin (머클린). Merlin utiliza carteiras MPC (Multi-Party Computation) para implementar múltiplas assinaturas. Quando um grande número de usuários transfere ativos para o endereço da carteira MPC do Merlin, tanto os usuários quanto o projeto passam a gerenciar conjuntamente esses ativos.
As carteiras MPC armazenam fragmentos de chaves privadas de forma distribuída, possibilitando uma gestão colaborativa. Nenhuma das partes pode usar os ativos de forma unilateral. Para o observador externo, o endereço parece de propriedade do projeto, mas, na prática, o controle absoluto dos ativos não está nas mãos do projeto. Essa é a origem do “falso TVL” no estilo Merlin.
Então, o que realmente é um TVL falso? O mais importante é entender que isso não significa manipulação de dados. Um TVL falso indica que ativos apresentados como garantidos, embora contabilizados como ativos, são fundos mortos, ou seja, sem participação em atividades de geração de valor. Esses fundos servem apenas para atrair novos investidores e criar momentum para o projeto.
Liquidez real versus TVL falso: uma nova métrica para avaliação de projetos
O TVL pode ser classificado em duas categorias, dependendo de sua natureza. O TVL real refere-se à liquidez efetivamente utilizada dentro do ecossistema, como em projetos de empréstimo ou troca, que contribuem de forma significativa para a operação do protocolo. Já o TVL falso consiste em fundos estagnados, que não desempenham papel algum na operação do protocolo. Um exemplo típico são projetos de staking.
O TVL de projetos de staking difere fundamentalmente de outros tipos de DeFi. Como esses projetos não contribuem de fato para a operação do produto, avaliá-los apenas pelo TVL é inadequado. Os ativos de staking podem estar completamente inflados, sem relação com a funcionalidade real do protocolo.
Os critérios de valor que a indústria tem ignorado
Até agora, nossa indústria tem considerado o TVL como o principal indicador de avaliação. Contudo, nem todo TVL possui significado real. Chegou a hora de usuários e investidores olharem além dos números e focarem no valor intrínseco do projeto. Quais características um projeto verdadeiramente valioso deve possuir?
Primeiro, deve resolver problemas reais dos usuários. Segundo, sua lógica de negócio deve ser sólida. Terceiro, deve gerar fluxo de caixa positivo. Apenas projetos que atendem a esses três critérios oferecem valor genuíno para usuários e para o setor.
O evento de 1800BTC não é apenas um escândalo. É um espelho que reflete o quanto nossa indústria está viciada em jogos de números. TVL não diz tudo. Precisamos desenvolver a capacidade de distinguir projetos que realmente criam valor.
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A ilusão do TVL na ecossistema do Bitcoin: Lições aprendidas no incidente de 1800BTC
A recente controvérsia do evento de 1800BTC no ecossistema Bitcoin não é apenas uma questão de movimentação de fundos. O que essa situação revela são perguntas mais fundamentais. Trata-se da confiabilidade dos dados de TVL, amplamente utilizados na indústria. Questionamentos levantados por profissionais do setor, como o educador Happy, — como a duplicação de UTXOs em múltiplos projetos — expõem de forma crua problemas estruturais que até agora evitávamos encarar.
UTXO, múltiplas aprovações e a verdade técnica sobre o aumento artificial do TVL
Ao analisar essa questão sob uma perspectiva técnica, surgem contradições interessantes. Devido às características do modelo UTXO (Unspent Transaction Output), um mesmo UTXO não pode ser aprovado várias vezes ou alocado em múltiplos projetos simultaneamente. Mesmo com a aplicação de Hash Time Lock, cada UTXO só pode ser bloqueado para um único destino de cada vez. Portanto, tecnicamente, não seria possível calcular o mesmo ativo como TVL de vários projetos ao mesmo tempo.
Contudo, a realidade é diferente. Ao rastrear o fluxo de capital na blockchain, é possível identificar endereços de garantia que os projetos não divulgam publicamente. Investidores verificam se o projeto realmente controla determinados endereços. Os dados de TVL concentram-se principalmente nesses endereços. O problema surge quando as equipes de projeto, por meio de empréstimos de grandes investidores, inflacionam o valor desses endereços.
Carteiras MPC, ‘fundos mortos’ e a análise da estrutura operacional do 머클린
Um exemplo claro dessa prática é o projeto Merlin (머클린). Merlin utiliza carteiras MPC (Multi-Party Computation) para implementar múltiplas assinaturas. Quando um grande número de usuários transfere ativos para o endereço da carteira MPC do Merlin, tanto os usuários quanto o projeto passam a gerenciar conjuntamente esses ativos.
As carteiras MPC armazenam fragmentos de chaves privadas de forma distribuída, possibilitando uma gestão colaborativa. Nenhuma das partes pode usar os ativos de forma unilateral. Para o observador externo, o endereço parece de propriedade do projeto, mas, na prática, o controle absoluto dos ativos não está nas mãos do projeto. Essa é a origem do “falso TVL” no estilo Merlin.
Então, o que realmente é um TVL falso? O mais importante é entender que isso não significa manipulação de dados. Um TVL falso indica que ativos apresentados como garantidos, embora contabilizados como ativos, são fundos mortos, ou seja, sem participação em atividades de geração de valor. Esses fundos servem apenas para atrair novos investidores e criar momentum para o projeto.
Liquidez real versus TVL falso: uma nova métrica para avaliação de projetos
O TVL pode ser classificado em duas categorias, dependendo de sua natureza. O TVL real refere-se à liquidez efetivamente utilizada dentro do ecossistema, como em projetos de empréstimo ou troca, que contribuem de forma significativa para a operação do protocolo. Já o TVL falso consiste em fundos estagnados, que não desempenham papel algum na operação do protocolo. Um exemplo típico são projetos de staking.
O TVL de projetos de staking difere fundamentalmente de outros tipos de DeFi. Como esses projetos não contribuem de fato para a operação do produto, avaliá-los apenas pelo TVL é inadequado. Os ativos de staking podem estar completamente inflados, sem relação com a funcionalidade real do protocolo.
Os critérios de valor que a indústria tem ignorado
Até agora, nossa indústria tem considerado o TVL como o principal indicador de avaliação. Contudo, nem todo TVL possui significado real. Chegou a hora de usuários e investidores olharem além dos números e focarem no valor intrínseco do projeto. Quais características um projeto verdadeiramente valioso deve possuir?
Primeiro, deve resolver problemas reais dos usuários. Segundo, sua lógica de negócio deve ser sólida. Terceiro, deve gerar fluxo de caixa positivo. Apenas projetos que atendem a esses três critérios oferecem valor genuíno para usuários e para o setor.
O evento de 1800BTC não é apenas um escândalo. É um espelho que reflete o quanto nossa indústria está viciada em jogos de números. TVL não diz tudo. Precisamos desenvolver a capacidade de distinguir projetos que realmente criam valor.