Os senadores dos EUA apresentaram na semana passada uma nova versão do projeto de lei sobre a estrutura do mercado de criptomoedas, com o objetivo de redefinir as competências regulatórias das agências sobre o mercado de ativos digitais. No entanto, esta proposta, apresentada pelo Comitê de Agricultura do Senado, já mostra fissuras entre os partidos, e ainda não está claro se passará com sucesso nas votações do comitê e do plenário.
Este movimento marca uma fase crítica na legislação de políticas de criptomoedas. O Senado está empenhado em estabelecer uma estrutura regulatória unificada, esclarecendo a divisão de poderes entre a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) e a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) no mercado de ativos digitais. Contudo, divergências políticas entre democratas e republicanos ameaçam esse processo.
Dois comitês, duas abordagens
O Comitê Bancário e o Comitê de Agricultura do Senado estão avançando com suas próprias versões do projeto de lei de estrutura de mercado. A nova versão do comitê de agricultura enfatiza o papel central da CFTC na supervisão de commodities digitais, tentando adotar uma postura mais bipartidária em comparação com a versão do Comitê Bancário.
O presidente do Comitê de Agricultura do Senado, senador republicano John Boozman, admitiu na semana passada a existência de “divergências políticas fundamentais”. Ele agradeceu ao líder democrata Cory Booker pelos esforços de negociação para avançar a legislação, mas indicou que as partes não chegaram a um consenso completo. “Embora seja lamentável não termos conseguido um acordo total, fico satisfeito que essa colaboração tenha tornado a legislação melhor”, afirmou Boozman.
Essas divergências se tornaram mais específicas na sexta-feira. Democratas (e alguns republicanos) apresentaram uma série de emendas para serem debatidas na reunião de marcação do comitê nesta terça-feira. A reunião de marcação é uma etapa crucial no processo legislativo, onde os parlamentares discutem os termos do projeto e votam as emendas propostas.
Poderes da CFTC em foco
O texto do novo projeto de lei mostra alguns pontos de compromisso entre as partes. Por exemplo, quanto à necessidade de uma equipe bipartidária de comissários para liderar a CFTC, parece haver consenso. O projeto inclui uma cláusula que exige que, antes da implementação da lei, a CFTC esteja “adequadamente composta”, incluindo “pelo menos 2 comissários indicados, que tenham sido nomeados após consulta e coordenação com membros seniores do partido minoritário”.
A inclusão dessa cláusula indica progresso na questão do equilíbrio de poderes na agência, que anteriormente gerou debates acalorados nas versões discutidas.
Questões de proteção aos desenvolvedores ressurgem
Por outro lado, algumas áreas ainda apresentam divergências potenciais. O projeto herda uma cláusula da versão do Comitê Bancário que oferece proteção legal aos desenvolvedores de criptomoedas. O presidente do Comitê de Justiça do Senado, senador republicano Chuck Grassley, do Iowa, enviou uma carta na semana passada ao Comitê Bancário, deixando claro que tais cláusulas deveriam estar sob jurisdição do Comissão de Justiça, e não do projeto de lei de estrutura de mercado. Essa controvérsia pode ressurgir na reunião de marcação.
Observação do setor e reação do mercado
Após a divulgação do texto, a indústria de criptomoedas mostrou uma postura relativamente moderada. Até o momento, os profissionais do setor não expressaram preocupações significativas com essa nova versão, mas continuam observando as discussões sobre as emendas e a votação final no comitê.
Vale destacar que opiniões sobre alguns pontos variam. Alguns observadores apontam que, embora a proposta seja mais favorável às criptomoedas do que a versão do Comitê Bancário, ainda é incerto se ela obter amplo apoio bipartidário. Essa incerteza pode afetar suas chances de aprovação no plenário.
Perspectivas legislativas e variáveis
O destino final do projeto depende de vários fatores. Primeiramente, a própria reunião de marcação é uma etapa cheia de variáveis. As emendas propostas pelos democratas podem alterar pontos-chave do projeto, influenciando sua atratividade bipartidária. Além disso, analistas de mercado apontam duas possíveis situações:
Cenário 1: Aprovação bipartidária por consenso. Apesar de a versão atual não ter consenso completo, o Congresso pode aprovar emendas que facilitem sua tramitação, garantindo apoio de ambos os lados para avançar ao plenário com maior respaldo.
Cenário 2: Intervenção de forças políticas. Grupos de pressão financiados por comitês de ação política de criptomoedas (como o Fairshake) podem convencer um número suficiente de democratas a votar a favor, garantindo uma base partidária sólida. Assim, o projeto avançaria mesmo diante de divisões partidárias.
Cenário 3: Suspensão ou fracasso. O projeto pode não passar na reunião de marcação ou ser adiado antes da votação no plenário — embora isso não signifique uma derrota definitiva, pois o tema pode ser retomado em sessões futuras.
Ao mesmo tempo, o Comitê Bancário do Senado provavelmente não revisará novamente questões relacionadas à estrutura de mercado em curto prazo. Fontes próximas ao setor disseram à mídia que a Casa Branca e os membros do comitê preferem que a indústria de criptomoedas e o setor bancário resolvam primeiro suas divergências sobre os rendimentos de stablecoins, antes de avançar com novas etapas.
Agenda desta semana
O cenário legislativo enfrenta interferências externas. Uma grande tempestade de inverno deve chegar à costa leste dos EUA na noite de sábado, expandindo-se para o Centro-Oeste e Sudeste, com temperaturas extremas, até segunda-feira de manhã. O mau tempo pode afetar os voos, e se os membros do Comitê de Agricultura do Senado não retornarem a tempo para a audiência de terça-feira, a reunião pode ser adiada.
Outro prazo urgente é o esgotamento dos fundos federais — o governo dos EUA enfrentará o fim dos recursos na sexta-feira. A Câmara rapidamente aprovou um pacote de financiamento e enviou ao Senado, mas este ainda precisa votar o projeto. Essa emergência pode desviar a atenção dos legisladores, impactando o cronograma de avanço do projeto de lei de estrutura de mercado.
Principais datas desta semana:
Terça-feira às 15h00 UTC / 10h00 horário de Nova York: Os presidentes da SEC e da CFTC farão uma discussão conjunta sobre o progresso na cooperação regulatória em criptomoedas — um sinal importante para o atual quadro de políticas.
Terça-feira às 20h00 UTC / 15h00 horário de Nova York: A reunião de marcação do Comitê de Agricultura do Senado será realizada, marcando um momento decisivo na votação do projeto na fase do comitê.
Perspectivas futuras
Embora o novo projeto de lei reflita algum consenso entre os legisladores em questões técnicas, as divergências partidárias ainda podem ser um obstáculo principal para sua aprovação. Observadores do setor e analistas políticos acompanharão de perto os resultados da reunião de marcação desta semana e as possíveis emendas — essas informações determinarão se o projeto avançará com forte apoio ou enfrentará resistência política adicional. Ao longo do processo, as posições finais sobre a regulamentação de stablecoins, proteção aos desenvolvedores e os poderes da CFTC terão impacto direto no futuro regulatório do setor de criptomoedas.
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A regulamentação de criptomoedas no Senado enfrenta impasse partidário, com o projeto de lei sobre estrutura de mercado com previsão incerta
Os senadores dos EUA apresentaram na semana passada uma nova versão do projeto de lei sobre a estrutura do mercado de criptomoedas, com o objetivo de redefinir as competências regulatórias das agências sobre o mercado de ativos digitais. No entanto, esta proposta, apresentada pelo Comitê de Agricultura do Senado, já mostra fissuras entre os partidos, e ainda não está claro se passará com sucesso nas votações do comitê e do plenário.
Este movimento marca uma fase crítica na legislação de políticas de criptomoedas. O Senado está empenhado em estabelecer uma estrutura regulatória unificada, esclarecendo a divisão de poderes entre a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) e a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) no mercado de ativos digitais. Contudo, divergências políticas entre democratas e republicanos ameaçam esse processo.
Dois comitês, duas abordagens
O Comitê Bancário e o Comitê de Agricultura do Senado estão avançando com suas próprias versões do projeto de lei de estrutura de mercado. A nova versão do comitê de agricultura enfatiza o papel central da CFTC na supervisão de commodities digitais, tentando adotar uma postura mais bipartidária em comparação com a versão do Comitê Bancário.
O presidente do Comitê de Agricultura do Senado, senador republicano John Boozman, admitiu na semana passada a existência de “divergências políticas fundamentais”. Ele agradeceu ao líder democrata Cory Booker pelos esforços de negociação para avançar a legislação, mas indicou que as partes não chegaram a um consenso completo. “Embora seja lamentável não termos conseguido um acordo total, fico satisfeito que essa colaboração tenha tornado a legislação melhor”, afirmou Boozman.
Essas divergências se tornaram mais específicas na sexta-feira. Democratas (e alguns republicanos) apresentaram uma série de emendas para serem debatidas na reunião de marcação do comitê nesta terça-feira. A reunião de marcação é uma etapa crucial no processo legislativo, onde os parlamentares discutem os termos do projeto e votam as emendas propostas.
Poderes da CFTC em foco
O texto do novo projeto de lei mostra alguns pontos de compromisso entre as partes. Por exemplo, quanto à necessidade de uma equipe bipartidária de comissários para liderar a CFTC, parece haver consenso. O projeto inclui uma cláusula que exige que, antes da implementação da lei, a CFTC esteja “adequadamente composta”, incluindo “pelo menos 2 comissários indicados, que tenham sido nomeados após consulta e coordenação com membros seniores do partido minoritário”.
A inclusão dessa cláusula indica progresso na questão do equilíbrio de poderes na agência, que anteriormente gerou debates acalorados nas versões discutidas.
Questões de proteção aos desenvolvedores ressurgem
Por outro lado, algumas áreas ainda apresentam divergências potenciais. O projeto herda uma cláusula da versão do Comitê Bancário que oferece proteção legal aos desenvolvedores de criptomoedas. O presidente do Comitê de Justiça do Senado, senador republicano Chuck Grassley, do Iowa, enviou uma carta na semana passada ao Comitê Bancário, deixando claro que tais cláusulas deveriam estar sob jurisdição do Comissão de Justiça, e não do projeto de lei de estrutura de mercado. Essa controvérsia pode ressurgir na reunião de marcação.
Observação do setor e reação do mercado
Após a divulgação do texto, a indústria de criptomoedas mostrou uma postura relativamente moderada. Até o momento, os profissionais do setor não expressaram preocupações significativas com essa nova versão, mas continuam observando as discussões sobre as emendas e a votação final no comitê.
Vale destacar que opiniões sobre alguns pontos variam. Alguns observadores apontam que, embora a proposta seja mais favorável às criptomoedas do que a versão do Comitê Bancário, ainda é incerto se ela obter amplo apoio bipartidário. Essa incerteza pode afetar suas chances de aprovação no plenário.
Perspectivas legislativas e variáveis
O destino final do projeto depende de vários fatores. Primeiramente, a própria reunião de marcação é uma etapa cheia de variáveis. As emendas propostas pelos democratas podem alterar pontos-chave do projeto, influenciando sua atratividade bipartidária. Além disso, analistas de mercado apontam duas possíveis situações:
Cenário 1: Aprovação bipartidária por consenso. Apesar de a versão atual não ter consenso completo, o Congresso pode aprovar emendas que facilitem sua tramitação, garantindo apoio de ambos os lados para avançar ao plenário com maior respaldo.
Cenário 2: Intervenção de forças políticas. Grupos de pressão financiados por comitês de ação política de criptomoedas (como o Fairshake) podem convencer um número suficiente de democratas a votar a favor, garantindo uma base partidária sólida. Assim, o projeto avançaria mesmo diante de divisões partidárias.
Cenário 3: Suspensão ou fracasso. O projeto pode não passar na reunião de marcação ou ser adiado antes da votação no plenário — embora isso não signifique uma derrota definitiva, pois o tema pode ser retomado em sessões futuras.
Ao mesmo tempo, o Comitê Bancário do Senado provavelmente não revisará novamente questões relacionadas à estrutura de mercado em curto prazo. Fontes próximas ao setor disseram à mídia que a Casa Branca e os membros do comitê preferem que a indústria de criptomoedas e o setor bancário resolvam primeiro suas divergências sobre os rendimentos de stablecoins, antes de avançar com novas etapas.
Agenda desta semana
O cenário legislativo enfrenta interferências externas. Uma grande tempestade de inverno deve chegar à costa leste dos EUA na noite de sábado, expandindo-se para o Centro-Oeste e Sudeste, com temperaturas extremas, até segunda-feira de manhã. O mau tempo pode afetar os voos, e se os membros do Comitê de Agricultura do Senado não retornarem a tempo para a audiência de terça-feira, a reunião pode ser adiada.
Outro prazo urgente é o esgotamento dos fundos federais — o governo dos EUA enfrentará o fim dos recursos na sexta-feira. A Câmara rapidamente aprovou um pacote de financiamento e enviou ao Senado, mas este ainda precisa votar o projeto. Essa emergência pode desviar a atenção dos legisladores, impactando o cronograma de avanço do projeto de lei de estrutura de mercado.
Principais datas desta semana:
Perspectivas futuras
Embora o novo projeto de lei reflita algum consenso entre os legisladores em questões técnicas, as divergências partidárias ainda podem ser um obstáculo principal para sua aprovação. Observadores do setor e analistas políticos acompanharão de perto os resultados da reunião de marcação desta semana e as possíveis emendas — essas informações determinarão se o projeto avançará com forte apoio ou enfrentará resistência política adicional. Ao longo do processo, as posições finais sobre a regulamentação de stablecoins, proteção aos desenvolvedores e os poderes da CFTC terão impacto direto no futuro regulatório do setor de criptomoedas.