Bitcoin Preso no Meio do Momentum Ouro: Isto é Temporário ou um Novo Sinal?

O Bitcoin está atualmente preso numa posição desconfortável. Enquanto o ouro disparou mais de 80% em meio à incerteza global, o bitcoin caiu 13% no último ano. Com o preço em $88.12K, este ativo digital não conseguiu provar-se como uma proteção eficaz contra a inflação, levantando perguntas cada vez mais agudas: ainda é relevante o apoio ao bitcoin neste mercado em mudança?

Nem todos os apoiantes de criptomoedas desistem. Eles oferecem explicações diferentes para o porquê do bitcoin estar estagnado enquanto o ouro conquista entusiasmo no mercado. Esta interpretação é importante para entender a direção do mercado de criptomoedas no futuro.

Divergência Ouro-Bitcoin: Não é Falha, Mas Reequilíbrio

Antes de avançar, vamos olhar para os fatos básicos. A teoria diz que um ativo de proteção contra a inflação deve valorizar-se quando o valor do dinheiro diminui. Para o ouro e outros metais preciosos, esta fórmula tem se mostrado precisa. Mas para o “ouro digital” (apelido do bitcoin), o resultado é o oposto.

Segundo Mark Connors, diretor de investimentos na Risk Dimensions, o que está preso não é o bitcoin em si, mas a forma como o mercado absorve o bitcoin. “Não é uma questão de demanda”, afirma Connors. “É um evento de redistribuição de oferta.”

A lógica de Connors é simples, mas interessante: o fluxo de entrada de ETFs institucionais é realmente muito grande, mas eles não estão a impulsionar os preços para cima. Pelo contrário, apenas absorvem a oferta que, durante uma década, foi vendida pelos primeiros adotantes. Em outras palavras, estamos a testemunhar uma transferência de propriedade em grande escala, não uma falha de interesse fundamental.

Memória do Mercado Antigo: Por que os Investidores Optam por Metais Preciosos?

Há um aspecto psicológico frequentemente ignorado: a “memória muscular” dos investidores. Em tempos de medo e incerteza, as instituições tendem a migrar para ativos que conhecem bem. Atualmente, esses ativos são ouro e prata — não bitcoin.

Andre Dragosch, da Bitwise, explica: “Em tempos de incerteza, os investidores primeiro recorrem aos ativos que já conhecem. Agora, parece que ouro e prata são as principais escolhas.”

Jessy Gilger, da Gannett Wealth Advisors, acrescenta uma perspetiva interessante. Ele vê o aumento do ouro atualmente como uma “perturbação política temporária”. Segundo ele, as instituições muitas vezes carecem de insights para aceitar a verdadeira mudança de fase tecnológica. “O ouro tem um legado, mas o bitcoin tem mostrado estabilidade técnica ao nível do protocolo há mais de quinze anos. Espere uma regressão à média”, afirma Gilger.

Beta Alto vs Reserva de Valor: Duas Perspetivas Diferentes

A questão fundamental que motiva a estagnação do bitcoin é: qual é realmente o papel do bitcoin? É um ativo de reserva de valor a longo prazo ou um instrumento de beta elevado que se correlaciona com ações tecnológicas?

Charlie Morris, chefe de investimentos da ByteTree, vê isto como um problema de perceção, não de fundamentos. “O problema está no mundo real, não no digital. O bitcoin não falhou, apenas recuou em linha com as ações de internet, que sempre tiveram uma forte correlação desde o seu início.”

A visão de Morris sobre o bitcoin é bastante diferente do suporte tradicional à inflação. Para ele, o bitcoin é um ativo para o mundo digital, enquanto o ouro é uma reserva para o mundo real. Quando o mundo real enfrenta pressões geopolíticas, o ouro, naturalmente, sai em vantagem.

Rotação Adiada: Quanto Tempo Ainda Temos de Esperar?

Peter Lane, CEO da Jacobi Asset Management, mantém o otimismo, mas com um aviso de tempo. “Há um conforto de há muito tempo no mercado de massas em relação aos metais preciosos, que o Bitcoin ainda não conseguiu conquistar. Ainda acredito que, no final, veremos uma rotação adiada para o BTC.”

Este conceito de “rotação adiada” está a tornar-se cada vez mais popular entre analistas. A ideia básica é que, após o ouro e outros ativos tradicionais de valor real atingirem uma inflação muito elevada, o capital começará a mover-se para ativos com avaliações mais atraentes — como o bitcoin.

Andre Dragosch avança com uma análise técnica mais aprofundada. Com base no múltiplo Mayer relativamente ao bitcoin e ouro, o bitcoin já se encontra ao nível mais alto desde 2022, quando a FTX ainda operava. “Há uma subvalorização significativa do bitcoin relativamente ao ambiente macro de 2026 e ao nível de oferta monetária global, que provavelmente irá inverter-se e fortalecer-se nos próximos meses”, afirma.

Precisa-se de um Novo Impulsor: A Deflação Pode Mudar a Narrativa?

Anthony Pompliano, presidente e CEO da ProCap Financial, apresenta um cenário mais nuançado. O bitcoin, na última meia década, tem atuado como uma proteção contra a inflação. Mas, com uma possível deflação no horizonte, o bitcoin precisa de outro motor de procura.

“O bitcoin precisa de encontrar outra procura para continuar a impulsionar este ativo para cima. Continuo otimista quanto às perspetivas futuras do bitcoin, mas reconhecendo que o ambiente macro e os atores do mercado de bitcoin estão a evoluir rapidamente”, afirma Pompliano.

David Parkinson, CEO da Musquet, é ainda mais direto. Para ele, o bitcoin não é apenas uma “proteção contra a inflação” — é uma “solução permanente” para ela. “A oferta fixa do Bitcoin e o crescimento contínuo da rede continuam a proporcionar retornos extraordinários em comparação com a inflação e até com o ouro ao longo de vários anos.”

Conclusão: Preso Agora, Mas E Depois?

O bitcoin está atualmente preso — isso é um facto inegável. A divergência com o ouro é clara nos dados de mercado atuais. No entanto, a explicação por trás desta estagnação determinará se isto é um problema de longo prazo ou apenas uma fase de transição.

A maioria dos apoiantes do bitcoin concorda numa coisa: a estagnação atual é sobre redistribuição de propriedade, perceção do mercado em relação ao ativo digital, e a forte “memória muscular” dos investidores em relação ao ouro. Não se trata de uma falha tecnológica fundamental ou de um modelo económico do bitcoin.

A questão já não é “o bitcoin vai recuperar?” mas sim “quando é que o ciclo de mercado voltará a favorecer ativos com avaliações mais atraentes?” A resposta, segundo a maioria dos especialistas, depende de como evoluirão as condições macro globais nos próximos meses.

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