Para os empreendedores Web3, a escolha de parceiros BaaS (Banking-as-a-Service) deixou de ser apenas uma questão de negócios e passou a ser um teste de sobrevivência.
Autor: Pavel Matveev
Tradução: Deep潮 TechFlow
Deep潮 Guia de leitura:
Recentemente, o setor de emissão de cartões de criptomoedas na Europa enfrentou uma forte tempestade regulatória. A licença da instituição polaca Quicko foi revogada, e a autoridade reguladora da Lituânia emitiu uma ordem de proibição contra a Monavate, causando a paralisação instantânea de fundos e funcionalidades de pagamento de vários projetos de criptomoedas e usuários.
Pavel Matveev, CEO da Wirex, revisa o ocorrido e aponta que muitos emissores que buscam crescimento e ignoram a conformidade estão enfrentando uma crise de sobrevivência.
Para os empreendedores Web3, a escolha de parceiros BaaS (Banking-as-a-Service) deixou de ser apenas uma questão de negócios e passou a ser um teste de sobrevivência.
O texto completo:
Se você está construindo um produto de fintech que depende de infraestrutura bancária ou de emissão de cartões, o que vem a seguir pode te impedir de dormir à noite.
O que aconteceu
Na semana passada, a instituição de emissão de cartões polaca Quicko, muito popular em planos de cartões de criptomoedas, perdeu sua licença operacional. As consequências foram imediatas e brutais: dezenas de parceiros e milhares de clientes finais perderam o acesso às funções bancárias e de cartão da noite para o dia.
Sem aviso prévio, sem período de transição, o serviço desapareceu de repente.
Antes disso, algumas semanas atrás, o banco lituano Lietuvos bankas emitiu uma ordem legalmente vinculativa contra a UAB Monavate, também uma das principais emissores de cartões relacionados a criptomoedas. A autoridade reguladora ordenou que eles parassem de fornecer serviços financeiros a seis parceiros: KPTRS Investments Limited, Amnis Europe AG, ConnexPay Ireland Limited, Brighty Digital UAB, Kulipa SAS e Immersve UK Ltd.
A seguir, uma situação real: reguladores em toda a Europa estão reforçando o controle sobre as Instituições de Dinheiro Eletrônico (Electronic Money Institutions, EMI), especialmente aquelas que atendem ao setor de criptomoedas.
Aqueles emissores que cresceram rapidamente ao dizer “Sim” a todos agora descobrem que conformidade (Compliance) não é uma simples caixa de verificação, mas uma disciplina operacional contínua que exige investimento real, conhecimento especializado e uma cultura empresarial sólida.
O modelo de negócios de muitos desses emissores é baseado em escala: quanto mais projetos conectarem, menos perguntas fizerem e mais taxas cobrarem.
Esse modelo está desmoronando em tempo real.
Por que isso é especialmente importante para os empreendedores
Se você é fundador ou responsável por produto, construindo qualquer coisa relacionada a cartões, pagamentos ou infraestrutura bancária, a sua escolha de parceiro BaaS (Banking-as-a-Service) pode significar a vida ou a morte.
Não é apenas importante, é uma questão de sobrevivência.
Quando seu emissor perde a licença:
Seu cartão para de funcionar
Seus usuários não conseguem sacar fundos
Seu negócio fica paralisado
Sua reputação sofre um golpe devastador, possivelmente irreversível
Existe uma realidade desconcertante: muitos emissores de Porto Rico ou de outros jurisdicionados offshore populares, que operam sob a bandeira de “planos de cartão de criptomoedas” ou “emissão global de cartões”, simplesmente não possuem uma infraestrutura de conformidade capaz de suportar uma fiscalização rigorosa.
Eles têm licença, mas não uma cultura de conformidade.
A verdadeira face da due diligence
Antes de prometer escolher qualquer parceiro BaaS ou de emissão de cartões, faça as seguintes perguntas:
Histórico regulatório: Quanto tempo eles possuem a licença? Já receberam advertências, multas ou restrições regulatórias? Como é a relação deles com as autoridades reguladoras do país de origem?
Infraestrutura de conformidade: Qual o tamanho da equipe de conformidade deles? É um centro de custos que eles tentam reduzir ao máximo ou uma função estratégica com investimentos pesados? Eles têm equipes dedicadas a crimes financeiros, AML (Anti-Lavagem de Dinheiro) e riscos, ou uma única pessoa desempenha várias funções?
Portfólio de clientes: Quem são seus outros parceiros? Se toda a base de clientes deles for composta por projetos de alta risco de criptomoedas, essa concentração excessiva pode representar risco sistêmico para toda a plataforma.
Resiliência operacional: O que acontece se eles perderem um parceiro bancário? Têm planos de contingência? Realizaram testes de estresse em sua infraestrutura?
Cultura: Este é o aspecto mais difícil de avaliar, mas também o mais importante. A conformidade é uma pauta de vendas ou já está profundamente enraizada em cada detalhe de suas operações?
A visão da Wirex
Escrevo estas palavras não como um observador neutro, mas como alguém que atua neste setor desde 2014.
A Wirex inventou o cartão de débito de criptomoedas. Emitimos milhões de cartões vinculados a stablecoins. Passamos por ciclos de mercado, transformações regulatórias e mudanças na indústria — e conseguimos sobreviver, não por sorte ou truques, mas porque a conformidade e a gestão de riscos estão enraizadas em nossa essência.
No ano passado, recebemos dois prêmios que me enchem de orgulho:
Prêmio de Iniciativa de Cultura de Conformidade do Ano (Compliance Culture Initiative of the Year)
Prêmio de Equipe de Gestão de Riscos do Ano (Risk Management Team of the Year)
Estes não são indicadores de vaidade. Eles refletem nosso investimento de uma década — fazer o que é certo, mesmo que às vezes seja mais lento, mais caro, e mesmo quando concorrentes ignoram regras para correr mais rápido.
O setor de cartões de criptomoedas está passando por uma correção dolorosa, mas necessária.
Aqueles emissores que veem a conformidade como um complemento posterior estão sendo eliminados. E os projetos que escolhem parceiros apenas por velocidade e preço estão aprendendo lições caras.
No final, ficarão ecossistemas mais fortes: menos players, padrões mais elevados e modelos de negócio mais sustentáveis.
Se você busca construir uma trajetória de longo prazo, escolha parceiros com espírito de longo prazo também.
Este artigo reflete apenas minha opinião pessoal como CEO da Wirex.
Ver original
Esta página pode conter conteúdo de terceiros, que é fornecido apenas para fins informativos (não para representações/garantias) e não deve ser considerada como um endosso de suas opiniões pela Gate nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Isenção de responsabilidade para obter detalhes.
Fazer negócios com cartões de criptomoedas, escolher o parceiro errado pode arruinar a empresa
Para os empreendedores Web3, a escolha de parceiros BaaS (Banking-as-a-Service) deixou de ser apenas uma questão de negócios e passou a ser um teste de sobrevivência.
Autor: Pavel Matveev
Tradução: Deep潮 TechFlow
Deep潮 Guia de leitura:
Recentemente, o setor de emissão de cartões de criptomoedas na Europa enfrentou uma forte tempestade regulatória. A licença da instituição polaca Quicko foi revogada, e a autoridade reguladora da Lituânia emitiu uma ordem de proibição contra a Monavate, causando a paralisação instantânea de fundos e funcionalidades de pagamento de vários projetos de criptomoedas e usuários.
Pavel Matveev, CEO da Wirex, revisa o ocorrido e aponta que muitos emissores que buscam crescimento e ignoram a conformidade estão enfrentando uma crise de sobrevivência.
Para os empreendedores Web3, a escolha de parceiros BaaS (Banking-as-a-Service) deixou de ser apenas uma questão de negócios e passou a ser um teste de sobrevivência.
O texto completo:
Se você está construindo um produto de fintech que depende de infraestrutura bancária ou de emissão de cartões, o que vem a seguir pode te impedir de dormir à noite.
O que aconteceu
Na semana passada, a instituição de emissão de cartões polaca Quicko, muito popular em planos de cartões de criptomoedas, perdeu sua licença operacional. As consequências foram imediatas e brutais: dezenas de parceiros e milhares de clientes finais perderam o acesso às funções bancárias e de cartão da noite para o dia.
Sem aviso prévio, sem período de transição, o serviço desapareceu de repente.
Antes disso, algumas semanas atrás, o banco lituano Lietuvos bankas emitiu uma ordem legalmente vinculativa contra a UAB Monavate, também uma das principais emissores de cartões relacionados a criptomoedas. A autoridade reguladora ordenou que eles parassem de fornecer serviços financeiros a seis parceiros: KPTRS Investments Limited, Amnis Europe AG, ConnexPay Ireland Limited, Brighty Digital UAB, Kulipa SAS e Immersve UK Ltd.
Você pode ler o anúncio completo aqui:
https://www.lb.lt/en/news/lietuvos-bankas-imposes-temporary-restrictions-on-uab-monavate
O modelo que ninguém fala
A seguir, uma situação real: reguladores em toda a Europa estão reforçando o controle sobre as Instituições de Dinheiro Eletrônico (Electronic Money Institutions, EMI), especialmente aquelas que atendem ao setor de criptomoedas.
Aqueles emissores que cresceram rapidamente ao dizer “Sim” a todos agora descobrem que conformidade (Compliance) não é uma simples caixa de verificação, mas uma disciplina operacional contínua que exige investimento real, conhecimento especializado e uma cultura empresarial sólida.
O modelo de negócios de muitos desses emissores é baseado em escala: quanto mais projetos conectarem, menos perguntas fizerem e mais taxas cobrarem.
Esse modelo está desmoronando em tempo real.
Por que isso é especialmente importante para os empreendedores
Se você é fundador ou responsável por produto, construindo qualquer coisa relacionada a cartões, pagamentos ou infraestrutura bancária, a sua escolha de parceiro BaaS (Banking-as-a-Service) pode significar a vida ou a morte.
Não é apenas importante, é uma questão de sobrevivência.
Quando seu emissor perde a licença:
Existe uma realidade desconcertante: muitos emissores de Porto Rico ou de outros jurisdicionados offshore populares, que operam sob a bandeira de “planos de cartão de criptomoedas” ou “emissão global de cartões”, simplesmente não possuem uma infraestrutura de conformidade capaz de suportar uma fiscalização rigorosa.
Eles têm licença, mas não uma cultura de conformidade.
A verdadeira face da due diligence
Antes de prometer escolher qualquer parceiro BaaS ou de emissão de cartões, faça as seguintes perguntas:
Histórico regulatório: Quanto tempo eles possuem a licença? Já receberam advertências, multas ou restrições regulatórias? Como é a relação deles com as autoridades reguladoras do país de origem?
Infraestrutura de conformidade: Qual o tamanho da equipe de conformidade deles? É um centro de custos que eles tentam reduzir ao máximo ou uma função estratégica com investimentos pesados? Eles têm equipes dedicadas a crimes financeiros, AML (Anti-Lavagem de Dinheiro) e riscos, ou uma única pessoa desempenha várias funções?
Portfólio de clientes: Quem são seus outros parceiros? Se toda a base de clientes deles for composta por projetos de alta risco de criptomoedas, essa concentração excessiva pode representar risco sistêmico para toda a plataforma.
Resiliência operacional: O que acontece se eles perderem um parceiro bancário? Têm planos de contingência? Realizaram testes de estresse em sua infraestrutura?
Cultura: Este é o aspecto mais difícil de avaliar, mas também o mais importante. A conformidade é uma pauta de vendas ou já está profundamente enraizada em cada detalhe de suas operações?
A visão da Wirex
Escrevo estas palavras não como um observador neutro, mas como alguém que atua neste setor desde 2014.
A Wirex inventou o cartão de débito de criptomoedas. Emitimos milhões de cartões vinculados a stablecoins. Passamos por ciclos de mercado, transformações regulatórias e mudanças na indústria — e conseguimos sobreviver, não por sorte ou truques, mas porque a conformidade e a gestão de riscos estão enraizadas em nossa essência.
No ano passado, recebemos dois prêmios que me enchem de orgulho:
Estes não são indicadores de vaidade. Eles refletem nosso investimento de uma década — fazer o que é certo, mesmo que às vezes seja mais lento, mais caro, e mesmo quando concorrentes ignoram regras para correr mais rápido.
O setor de cartões de criptomoedas está passando por uma correção dolorosa, mas necessária.
Aqueles emissores que veem a conformidade como um complemento posterior estão sendo eliminados. E os projetos que escolhem parceiros apenas por velocidade e preço estão aprendendo lições caras.
No final, ficarão ecossistemas mais fortes: menos players, padrões mais elevados e modelos de negócio mais sustentáveis.
Se você busca construir uma trajetória de longo prazo, escolha parceiros com espírito de longo prazo também.
Este artigo reflete apenas minha opinião pessoal como CEO da Wirex.