A discussão num fórum internacional revelou uma profunda divisão entre as autoridades financeiras tradicionais e os empreendedores de criptomoedas sobre quem deve controlar a emissão e a rentabilidade dos ativos digitais. De um lado — líderes da indústria cripto, defendendo a liberdade de concorrência entre emissores privados, do outro — banqueiros centrais preocupados com a perda de soberania estatal sobre a oferta monetária.
Por que a Coinbase defende o direito dos emissores à rentabilidade
A direção da maior plataforma de troca de criptomoedas insiste que os detentores de stablecoins devem receber recompensas pelo armazenamento de seus fundos. A argumentação é simples: as pessoas não devem ser privadas da oportunidade de ganhar com seu próprio capital. Mas essa é apenas a camada superficial da posição da empresa.
Em um nível mais profundo, trata-se de uma competição global entre jurisdições. Emissores privados apontam exemplos de outros países — a China já anunciou planos de garantir rentabilidade ao seu yuan digital. Se os reguladores dos EUA proibirem recompensas de stablecoins, posições dominantes no sistema financeiro serão tomadas por concorrentes offshore, não sujeitos à legislação americana. Esse cenário significaria uma transferência de poder financeiro para jurisdições menos desenvolvidas, com abordagens mais liberais.
Posição dos bancos: por que a soberania vale mais que inovações
Líderes dos bancos centrais europeus expressaram objeções categóricas. Para eles, quando emissores privados oferecem retorno sobre stablecoins, isso mina a própria base do sistema bancário. A rentabilidade atrai depósitos do setor bancário tradicional, enfraquecendo as instituições financeiras e ameaçando a estabilidade macroeconômica.
O chefe do banco central francês aprofundou essa posição numa direção filosófico-política. A oferta de dinheiro, segundo ele, está intrinsecamente ligada ao conceito de soberania democrática. Quando o Estado perde o controle sobre a circulação monetária, perde uma ferramenta de política. Mesmo o euro digital, em desenvolvimento pelos bancos centrais da UE, não deveria gerar retorno para seus detentores — as autoridades devem manter o monopólio sobre a gestão monetária.
Batalha de ideologias: descentralização versus controle estatal
Os apoiantes das criptomoedas elevam o debate para um nível mais conceitual. O Bitcoin, como um protocolo descentralizado sem um emissor central, oferece uma alternativa ao padrão ouro tradicional. O CEO da Coinbase afirmou que os sistemas financeiros globais evoluirão em direção ao “padrão Bitcoin” — uma moeda protegida contra inflação e manipulações por qualquer Estado.
O preço atual do BTC, em torno de $83.06K, reflete a crescente confiança dos investidores nessa visão. A comunidade cripto insiste: o Bitcoin é mais independente do que qualquer banco central, pois nem o Estado, nem uma empresa, nem uma pessoa têm controle sobre ele.
Os banqueiros rejeitaram esse argumento, reformulando o debate em categorias de geopolítica. Segundo eles, bancos centrais independentes de democracias desenvolvidas merecem mais confiança do que “emissores anônimos” de criptomoedas. Os governos arriscam sua soberania se permitirem que sistemas monetários privados dominem o mercado, especialmente em economias emergentes vulneráveis.
CLARITY como reflexo do confronto político
No Senado americano, está pendente o destino do projeto de lei CLARITY, destinado a regulamentar o mercado de criptomoedas. Sua tramitação foi suspensa logo após a Coinbase se posicionar ativamente contra a proibição de rentabilidade de stablecoins.
Não se trata apenas de uma disputa técnica sobre os parâmetros dos ativos digitais. Por trás de cada posição, há uma visão sobre a arquitetura futura do sistema monetário. Os empreendedores cripto lutam pelo direito à múltiplidade de emissores e condições competitivas. Os bancos centrais defendem o direito do Estado ao controle exclusivo sobre a emissão monetária. O desfecho desse conflito determinará se diferentes tipos de emissores — bancos estatais e empresas privadas — coexistirão na economia digital, ou se uma única modelo prevalecerá.
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Discussão sobre emissores de stablecoins: como os bancos estão redefinindo seu papel na economia digital
A discussão num fórum internacional revelou uma profunda divisão entre as autoridades financeiras tradicionais e os empreendedores de criptomoedas sobre quem deve controlar a emissão e a rentabilidade dos ativos digitais. De um lado — líderes da indústria cripto, defendendo a liberdade de concorrência entre emissores privados, do outro — banqueiros centrais preocupados com a perda de soberania estatal sobre a oferta monetária.
Por que a Coinbase defende o direito dos emissores à rentabilidade
A direção da maior plataforma de troca de criptomoedas insiste que os detentores de stablecoins devem receber recompensas pelo armazenamento de seus fundos. A argumentação é simples: as pessoas não devem ser privadas da oportunidade de ganhar com seu próprio capital. Mas essa é apenas a camada superficial da posição da empresa.
Em um nível mais profundo, trata-se de uma competição global entre jurisdições. Emissores privados apontam exemplos de outros países — a China já anunciou planos de garantir rentabilidade ao seu yuan digital. Se os reguladores dos EUA proibirem recompensas de stablecoins, posições dominantes no sistema financeiro serão tomadas por concorrentes offshore, não sujeitos à legislação americana. Esse cenário significaria uma transferência de poder financeiro para jurisdições menos desenvolvidas, com abordagens mais liberais.
Posição dos bancos: por que a soberania vale mais que inovações
Líderes dos bancos centrais europeus expressaram objeções categóricas. Para eles, quando emissores privados oferecem retorno sobre stablecoins, isso mina a própria base do sistema bancário. A rentabilidade atrai depósitos do setor bancário tradicional, enfraquecendo as instituições financeiras e ameaçando a estabilidade macroeconômica.
O chefe do banco central francês aprofundou essa posição numa direção filosófico-política. A oferta de dinheiro, segundo ele, está intrinsecamente ligada ao conceito de soberania democrática. Quando o Estado perde o controle sobre a circulação monetária, perde uma ferramenta de política. Mesmo o euro digital, em desenvolvimento pelos bancos centrais da UE, não deveria gerar retorno para seus detentores — as autoridades devem manter o monopólio sobre a gestão monetária.
Batalha de ideologias: descentralização versus controle estatal
Os apoiantes das criptomoedas elevam o debate para um nível mais conceitual. O Bitcoin, como um protocolo descentralizado sem um emissor central, oferece uma alternativa ao padrão ouro tradicional. O CEO da Coinbase afirmou que os sistemas financeiros globais evoluirão em direção ao “padrão Bitcoin” — uma moeda protegida contra inflação e manipulações por qualquer Estado.
O preço atual do BTC, em torno de $83.06K, reflete a crescente confiança dos investidores nessa visão. A comunidade cripto insiste: o Bitcoin é mais independente do que qualquer banco central, pois nem o Estado, nem uma empresa, nem uma pessoa têm controle sobre ele.
Os banqueiros rejeitaram esse argumento, reformulando o debate em categorias de geopolítica. Segundo eles, bancos centrais independentes de democracias desenvolvidas merecem mais confiança do que “emissores anônimos” de criptomoedas. Os governos arriscam sua soberania se permitirem que sistemas monetários privados dominem o mercado, especialmente em economias emergentes vulneráveis.
CLARITY como reflexo do confronto político
No Senado americano, está pendente o destino do projeto de lei CLARITY, destinado a regulamentar o mercado de criptomoedas. Sua tramitação foi suspensa logo após a Coinbase se posicionar ativamente contra a proibição de rentabilidade de stablecoins.
Não se trata apenas de uma disputa técnica sobre os parâmetros dos ativos digitais. Por trás de cada posição, há uma visão sobre a arquitetura futura do sistema monetário. Os empreendedores cripto lutam pelo direito à múltiplidade de emissores e condições competitivas. Os bancos centrais defendem o direito do Estado ao controle exclusivo sobre a emissão monetária. O desfecho desse conflito determinará se diferentes tipos de emissores — bancos estatais e empresas privadas — coexistirão na economia digital, ou se uma única modelo prevalecerá.