Os preços do açúcar estão a experimentar uma pressão descendente significativa, à medida que as abundantes reservas globais prejudicam o sentimento do mercado. O açúcar mundial #11 de Nova Iorque para março (SBH26) caiu -0,02 (-0,14%), enquanto o açúcar branco ICE de Londres para março (SWH26) desceu -1,60 (-0,39%). A tendência mais ampla é clara: o açúcar de Nova Iorque atingiu mínimos de 2,5 meses, e o açúcar de Londres atingiu mínimos de 5 anos, refletindo um desequilíbrio fundamental no mercado entre o aumento da produção e o enfraquecimento da procura.
Excesso de Oferta Prejudica a Recuperação de Preços nos Principais Mercados
O motor fundamental por trás da venda é inconfundível: as reservas globais de açúcar estão a superar dramaticamente o consumo. Várias agências de previsão têm apresentado um quadro consistente de excesso de oferta. A Green Pool Commodity Specialists projeta um excedente global de açúcar de 2,74 milhões de toneladas métricas (MMT) para 2025/26, seguido de um excedente de 156.000 MT em 2026/27. A perspetiva da StoneX é ainda mais pessimista, prevendo um excedente de 2,9 MMT para 2025/26. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima um excedente de 1,625 milhões de MT em 2025-26, após um défice de 2,916 milhões de MT no ano anterior. No entanto, a Czarnikow, uma importante trader de açúcar, apresenta a estimativa de excedente mais agressiva, de 8,7 MMT para 2025/26 — um valor que prejudica qualquer recuperação de preço significativa a curto prazo.
Estas previsões de excedente criam uma divergência entre as expectativas de produção dos agricultores e a capacidade de absorção do mercado. A Covrig Analytics inicialmente aumentou a sua estimativa de excedente global para 2025/26 para 4,7 MMT em dezembro (de 4,1 MMT em outubro), embora projete que o excedente de 2026/27 se contrairá para 1,4 MMT, à medida que os preços mais baixos desincentivam o aumento da produção.
Produção Recorde no Brasil e Expansão das Exportações na Índia Influenciam o Sentimento do Mercado
O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, está a caminho de uma produção recorde. A Conab aumentou a sua previsão de produção de açúcar para 2025/26 para 45 MMT em novembro, face a uma estimativa anterior de 44,5 MMT. Mais relevante é a mudança na proporção de moagem de cana para açúcar e etanol: a proporção de cana moída para açúcar subiu para 50,82% em 2025/26, de 48,16% em 2024/25, indicando um foco estratégico na produção de açúcar em detrimento do biocombustível. A Unica reportou, em janeiro, que a produção acumulada de açúcar na região Centro-Sul de Brasil em 2025-26 aumentou +0,9% face ao ano anterior, atingindo 40,222 MMT.
A trajetória da Índia é igualmente preocupante para a estabilidade dos preços. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) anunciou, em janeiro, que a produção de açúcar de 2025-26, de outubro até meados de janeiro, atingiu 15,9 MMT, representando um aumento de +22% face ao ano anterior. De forma mais ampla, a ISMA aumentou a sua estimativa de produção total para 2025/26 para 31 MMT (de uma previsão anterior de 30 MMT), registando um aumento de +18,8% face ao ano anterior. Criticamente, a Índia está a reduzir a produção de etanol: a ISMA cortou a sua estimativa de açúcar utilizado na produção de etanol para 3,4 MMT (de uma previsão de julho de 5 MMT), libertando mais açúcar para os mercados de exportação. Esta mudança prejudica os preços globais ao aumentar a oferta competitiva de exportação do segundo maior produtor mundial.
O governo indiano sinalizou a intenção de impulsionar as exportações de açúcar para aliviar um excesso de oferta interno. O ministério da alimentação aprovou 1,5 MMT de exportações de açúcar para a temporada de 2025/26 através de um sistema de quotas, uma política reintroduzida após as chuvas tardias de 2022/23 que limitaram a produção.
A Tailândia, terceiro maior produtor mundial de açúcar e segundo maior exportador, também está a aumentar a produção. A Thai Sugar Millers Corp projetou, em outubro, que a colheita de açúcar de 2025/26 na Tailândia aumentará +5% face ao ano anterior, atingindo 10,5 MMT, adicionando mais pressão competitiva aos mercados globais.
Surto de Produção Global versus Perspetiva de Consumo até 2026/27
A previsão do USDA de dezembro reforça o desequilíbrio estrutural. A produção global de açúcar para 2025/26 deve aumentar +4,6% face ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 MMT, enquanto o consumo humano de açúcar deve aumentar apenas +1,4%, para 177,921 MMT. Esta diferença entre produção e consumo — mais de 11 MMT de excedente — prejudica qualquer narrativa de recuperação de preços.
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA forneceu previsões regionais detalhadas: a produção do Brasil para 2025/26 deve subir 2,3% face ao ano anterior, atingindo um recorde de 44,7 MMT; a produção da Índia deve aumentar 25% para 35,25 MMT, impulsionada por condições favoráveis de monções e expansão do plantio; a colheita da Tailândia deve crescer +2% face ao ano anterior, para 10,25 MMT. Estes aumentos criam um excedente estrutural que prejudica os níveis de suporte de preços.
As reservas finais globais de açúcar estão projetadas para diminuir -2,9% face ao ano anterior, para 41,188 MMT, uma correção modesta que oferece um alívio limitado às dinâmicas de preços de curto prazo.
Equilíbrio Futuro do Mercado: Oferta de 2026/27 a Enfraquecer como Potencial Piso de Preços
Embora a temporada de 2025/26 pareça altamente sobreabastecida, há sinais iniciais de que o reequilíbrio do mercado pode começar em 2026/27. A Safras & Mercado, uma consultora, projeta que a produção de açúcar do Brasil cairá -3,91%, para 41,8 MMT em 2026/27, de 43,5 MMT previstos para 2025/26. A mesma entidade prevê que as exportações do Brasil diminuirão -11% face ao ano anterior, para 30 MMT, sugerindo que preços mais fracos podem finalmente suprimir os incentivos à produção. A Covrig Analytics também projeta que o excedente global de 2026/27 se comprimirá para 1,4 MMT — uma redução significativa em relação aos níveis de 2025/26.
Este ajuste de oferta a longo prazo poderá, eventualmente, fornecer suporte estrutural aos preços. No entanto, para o curto prazo, as abundantes reservas globais continuam a prejudicar as avaliações do mercado em várias plataformas de negociação, com o desequilíbrio estrutural provavelmente a persistir durante toda a temporada de 2025/26. Só quando os incentivos à produção enfraquecerem e os volumes de exportação se normalizarem poderão emergir cenários de recuperação de preços significativos.
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Superávit global de açúcar pressiona avaliações de mercado em meio a previsões recordes de produção
Os preços do açúcar estão a experimentar uma pressão descendente significativa, à medida que as abundantes reservas globais prejudicam o sentimento do mercado. O açúcar mundial #11 de Nova Iorque para março (SBH26) caiu -0,02 (-0,14%), enquanto o açúcar branco ICE de Londres para março (SWH26) desceu -1,60 (-0,39%). A tendência mais ampla é clara: o açúcar de Nova Iorque atingiu mínimos de 2,5 meses, e o açúcar de Londres atingiu mínimos de 5 anos, refletindo um desequilíbrio fundamental no mercado entre o aumento da produção e o enfraquecimento da procura.
Excesso de Oferta Prejudica a Recuperação de Preços nos Principais Mercados
O motor fundamental por trás da venda é inconfundível: as reservas globais de açúcar estão a superar dramaticamente o consumo. Várias agências de previsão têm apresentado um quadro consistente de excesso de oferta. A Green Pool Commodity Specialists projeta um excedente global de açúcar de 2,74 milhões de toneladas métricas (MMT) para 2025/26, seguido de um excedente de 156.000 MT em 2026/27. A perspetiva da StoneX é ainda mais pessimista, prevendo um excedente de 2,9 MMT para 2025/26. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima um excedente de 1,625 milhões de MT em 2025-26, após um défice de 2,916 milhões de MT no ano anterior. No entanto, a Czarnikow, uma importante trader de açúcar, apresenta a estimativa de excedente mais agressiva, de 8,7 MMT para 2025/26 — um valor que prejudica qualquer recuperação de preço significativa a curto prazo.
Estas previsões de excedente criam uma divergência entre as expectativas de produção dos agricultores e a capacidade de absorção do mercado. A Covrig Analytics inicialmente aumentou a sua estimativa de excedente global para 2025/26 para 4,7 MMT em dezembro (de 4,1 MMT em outubro), embora projete que o excedente de 2026/27 se contrairá para 1,4 MMT, à medida que os preços mais baixos desincentivam o aumento da produção.
Produção Recorde no Brasil e Expansão das Exportações na Índia Influenciam o Sentimento do Mercado
O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, está a caminho de uma produção recorde. A Conab aumentou a sua previsão de produção de açúcar para 2025/26 para 45 MMT em novembro, face a uma estimativa anterior de 44,5 MMT. Mais relevante é a mudança na proporção de moagem de cana para açúcar e etanol: a proporção de cana moída para açúcar subiu para 50,82% em 2025/26, de 48,16% em 2024/25, indicando um foco estratégico na produção de açúcar em detrimento do biocombustível. A Unica reportou, em janeiro, que a produção acumulada de açúcar na região Centro-Sul de Brasil em 2025-26 aumentou +0,9% face ao ano anterior, atingindo 40,222 MMT.
A trajetória da Índia é igualmente preocupante para a estabilidade dos preços. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) anunciou, em janeiro, que a produção de açúcar de 2025-26, de outubro até meados de janeiro, atingiu 15,9 MMT, representando um aumento de +22% face ao ano anterior. De forma mais ampla, a ISMA aumentou a sua estimativa de produção total para 2025/26 para 31 MMT (de uma previsão anterior de 30 MMT), registando um aumento de +18,8% face ao ano anterior. Criticamente, a Índia está a reduzir a produção de etanol: a ISMA cortou a sua estimativa de açúcar utilizado na produção de etanol para 3,4 MMT (de uma previsão de julho de 5 MMT), libertando mais açúcar para os mercados de exportação. Esta mudança prejudica os preços globais ao aumentar a oferta competitiva de exportação do segundo maior produtor mundial.
O governo indiano sinalizou a intenção de impulsionar as exportações de açúcar para aliviar um excesso de oferta interno. O ministério da alimentação aprovou 1,5 MMT de exportações de açúcar para a temporada de 2025/26 através de um sistema de quotas, uma política reintroduzida após as chuvas tardias de 2022/23 que limitaram a produção.
A Tailândia, terceiro maior produtor mundial de açúcar e segundo maior exportador, também está a aumentar a produção. A Thai Sugar Millers Corp projetou, em outubro, que a colheita de açúcar de 2025/26 na Tailândia aumentará +5% face ao ano anterior, atingindo 10,5 MMT, adicionando mais pressão competitiva aos mercados globais.
Surto de Produção Global versus Perspetiva de Consumo até 2026/27
A previsão do USDA de dezembro reforça o desequilíbrio estrutural. A produção global de açúcar para 2025/26 deve aumentar +4,6% face ao ano anterior, atingindo um recorde de 189,318 MMT, enquanto o consumo humano de açúcar deve aumentar apenas +1,4%, para 177,921 MMT. Esta diferença entre produção e consumo — mais de 11 MMT de excedente — prejudica qualquer narrativa de recuperação de preços.
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA forneceu previsões regionais detalhadas: a produção do Brasil para 2025/26 deve subir 2,3% face ao ano anterior, atingindo um recorde de 44,7 MMT; a produção da Índia deve aumentar 25% para 35,25 MMT, impulsionada por condições favoráveis de monções e expansão do plantio; a colheita da Tailândia deve crescer +2% face ao ano anterior, para 10,25 MMT. Estes aumentos criam um excedente estrutural que prejudica os níveis de suporte de preços.
As reservas finais globais de açúcar estão projetadas para diminuir -2,9% face ao ano anterior, para 41,188 MMT, uma correção modesta que oferece um alívio limitado às dinâmicas de preços de curto prazo.
Equilíbrio Futuro do Mercado: Oferta de 2026/27 a Enfraquecer como Potencial Piso de Preços
Embora a temporada de 2025/26 pareça altamente sobreabastecida, há sinais iniciais de que o reequilíbrio do mercado pode começar em 2026/27. A Safras & Mercado, uma consultora, projeta que a produção de açúcar do Brasil cairá -3,91%, para 41,8 MMT em 2026/27, de 43,5 MMT previstos para 2025/26. A mesma entidade prevê que as exportações do Brasil diminuirão -11% face ao ano anterior, para 30 MMT, sugerindo que preços mais fracos podem finalmente suprimir os incentivos à produção. A Covrig Analytics também projeta que o excedente global de 2026/27 se comprimirá para 1,4 MMT — uma redução significativa em relação aos níveis de 2025/26.
Este ajuste de oferta a longo prazo poderá, eventualmente, fornecer suporte estrutural aos preços. No entanto, para o curto prazo, as abundantes reservas globais continuam a prejudicar as avaliações do mercado em várias plataformas de negociação, com o desequilíbrio estrutural provavelmente a persistir durante toda a temporada de 2025/26. Só quando os incentivos à produção enfraquecerem e os volumes de exportação se normalizarem poderão emergir cenários de recuperação de preços significativos.