Legado de investimento de 60 anos de Buffett: a lei do "medo e ganância" que se repete nos ciclos de mercado

Enquanto Warren Buffett se prepara para se retirar da gestão da Berkshire Hathaway no final de 2025, o mundo dos investimentos está a perder uma visão crucial. O “Sábio de Omaha” transformou uma empresa têxtil de 25 milhões de dólares em um gigante conglomerado de um trilhão de dólares, e ao longo de 60 anos, publicou anualmente cartas aos acionistas onde revelou a sua filosofia de investimento. Essas cartas não são apenas relatórios financeiros, mas também aulas práticas sobre psicologia humana, paciência e gestão de capital.

A visão de Buffett tem sido comprovada por múltiplos ciclos de mercado. Desde a bolha dot-com até ao boom das criptomoedas, os padrões que ele alertou repetidamente permanecem inalterados. No centro de tudo está a compreensão dos “dois extremos” da psicologia de mercado.

A verdade sobre o timing de mercado: a coragem de contrariar a tendência

Na carta aos acionistas de 1986, Buffett apresentou uma das máximas mais citadas na história dos investimentos. Apesar de afirmar que prever o timing perfeito do mercado é impossível, ele apontou um padrão claro revelado pela história — ondas de medo e desejo que se repetem incessantemente.

A prática desse princípio consiste em comprar ativos de qualidade que caíram devido ao pânico e resistir à euforia especulativa. Quando o mercado está tomado por entusiasmo e todos seguem na mesma direção, é precisamente aí que o risco é maior. Por outro lado, ambientes de desespero representam oportunidades para investidores sábios.

Essa estratégia foi testada várias vezes em bolhas subsequentes. Uma postura disciplinada, que não se deixa levar pelas emoções, foi fundamental para a construção de riqueza a longo prazo.

Aprendendo com erros de aquisições: a prioridade no uso do capital

Buffett admitiu abertamente que sua decisão de adquirir a Berkshire Hathaway em 1965 foi um erro. A escolha de uma empresa têxtil decadente mostrou que, mesmo os melhores gestores não podem evitar a decadência intrínseca de certos negócios.

Porém, esse erro trouxe uma lição valiosa: a essência da alocação de capital não é apenas comprar e vender ações, mas entender profundamente a futura rentabilidade de um negócio antes de investir. Em 1982, Buffett afirmou que “a aquisição completa de uma excelente empresa a um preço justo é a oportunidade que mais nos entusiasma”, destacando a dificuldade e a recompensa dessa abordagem.

Ele também alertou para os perigos de financiar aquisições com ações. Na compra da General Re em 1998, usou 272 mil ações da Berkshire, o que posteriormente considerou um “horrível erro”, pois o valor criado superou amplamente o valor recebido.

A paixão do CEO e as previsões otimistas dos vendedores muitas vezes distorcem avaliações de valor. Buffett há décadas aponta que essa “ambição selvagem e ego” podem destruir valor para o comprador.

Abordagem multifacetada: superando as limitações de uma estratégia única

Em 1995, Buffett descreveu sua estratégia de investimento com humor como uma “dualidade”. Ele mantém ações de boas empresas listadas na bolsa enquanto busca também aquisições completas de negócios. Essa flexibilidade confere à Berkshire uma vantagem estrutural sobre concorrentes que adotam uma única estratégia de alocação.

A capacidade de escolher a forma de investimento mais adequada às condições de mercado gera desempenho superior a longo prazo.

Gestão de riscos financeiros: a bomba-relógio dos derivativos

Em 2002, Buffett usou a expressão “armas de destruição financeira em massa” para alertar sobre os perigos dos derivativos. A preocupação com o risco sistêmico gerado por sistemas de alavancagem interligados foi confirmada na crise de 2008, quando a rede de interdependência entre instituições financeiras se quebrou, abalando o mercado.

Curiosamente, a Berkshire Hathaway também possuía 251 contratos de derivativos. Buffett tem uma regra clara: só entrar em operações com expectativa de valor altamente favorável. Gestão de risco, segundo ele, não é evitar todos os riscos, mas assumir riscos calculados quando as recompensas potenciais justificam.

Compreender a essência do mercado: conhecer as fraquezas ocultas na prosperidade

Buffett costuma usar a metáfora: “Quando a maré baixa, quem está nu é revelado.”

Durante períodos de prosperidade, até empresas de seguros ou negócios altamente alavancados parecem sólidos. Mas, na hora de crise, vulnerabilidades graves aparecem. A verdadeira competência gerencial é demonstrada não na bonança, mas na adversidade. Essa lição foi reforçada após a experiência com o furacão Andrew em 1992, que revelou fragilidades ocultas.

Preparar-se para oportunidades: o valor estratégico da posição de caixa

Na filosofia de Buffett, manter dinheiro em caixa não é apenas esperar, mas uma preparação estratégica para momentos de medo no mercado, quando ativos de qualidade são vendidos a preços baixos. Ele sempre reservou fundos para aproveitar quedas de mercado, buscando superar o S&P 500 a longo prazo.

Em 2016, reforçou aos investidores que “dinheiro disponível para oportunidades de compra é um fator-chave para o crescimento composto da Berkshire”.

Delegação na gestão e continuidade: projetando a perpetuidade da organização

Buffett mantém a decisão final sobre alocação de capital, mas delega a gestão diária a gestores competentes. Valoriza especialmente executores experientes, como Rose Blumkin (a “Dona B”), que liderou o império de móveis até os 103 anos. Eles até brincavam que se encontraram na mesma data de aniversário.

Desde 2005, o plano de sucessão passou a ser uma questão pública, deixando claro que há candidatos capazes e preparados para assumir a liderança.

A relevância da filosofia de Buffett na era atual

Quando Warren Buffett se retira em 2025, seu legado será uma combinação de sagacidade, sabedoria e disciplina inabalável. Em uma era dominada por publicidade exagerada, especulação e ruído de mercado de curto prazo, sua mensagem central — paciência, retorno aos valores essenciais, coragem de contrariar tendências e gestão racional de capital — torna-se ainda mais relevante.

Investidores que compreendem profundamente os ensinamentos do Sábio de Omaha podem não conseguir prever exatamente a próxima bolha, mas estarão muito melhor preparados para enfrentá-la. Os ciclos de mercado se repetem, o medo e a ganância reaparecem inúmeras vezes. A capacidade de agir com visão de futuro será o que diferencia um investidor de verdade.

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