Autor | Cathy, Blockchain de Conversa (ID: hellobtc)
Janeiro de 2026, o valor de mercado global de stablecoins ultrapassou os 317 mil milhões de dólares, atingindo um recorde histórico.
Mas o que realmente merece atenção não é esse número em si, mas as tendências por trás dele: o USDC da Circle disparou 73% em 2025, crescendo mais rápido que o USDT da Tether pelo segundo ano consecutivo (36%). E em dezembro de 2025, a Visa anunciou o lançamento de um serviço de liquidação com USDC nos EUA.
Quando a maior rede de pagamentos do mundo começa a usar stablecoins para liquidação, quando a BlackRock, que gere 10 trilhões de dólares em ativos, lança fundos de moeda na blockchain, e quando o JPMorgan realiza liquidações diárias de 3 bilhões de dólares via blockchain — o que esses gigantes tradicionais estão vendo?
01, Por que os gigantes financeiros tradicionais estão all-in na cadeia?
Em março de 2024, a BlackRock lançou o BUIDL — um fundo de mercado monetário tokenizado.
Não é a primeira vez que a BlackRock experimenta blockchain, mas é a primeira vez que o faz de forma tão agressiva. O BUIDL é emitido diretamente na blockchain pública, detém títulos do Tesouro dos EUA e dinheiro em caixa, mantém um valor líquido de 1 dólar e distribui lucros mensalmente aos detentores.
O BUIDL ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares em março de 2025, tornando-se o primeiro fundo na blockchain a atingir esse tamanho. No final de 2025, seu valor já ultrapassava 2 bilhões de dólares, sendo atualmente o maior fundo tokenizado.
O que a BlackRock viu?
A resposta é simples: eficiência e custos.
Fundos tradicionais de mercado monetário, para subscrição e resgate, precisam de T+1 ou T+2 de liquidação, e transferências internacionais passam pelo sistema SWIFT, com várias taxas. Já os fundos na blockchain, as transferências são instantâneas, com taxas inferiores a 1 dólar, operando 24/7.
Mais importante ainda, o BUIDL abriu um canal de distribuição totalmente novo. Antes, investidores de varejo tinham dificuldade em comprar fundos de mercado monetário (que geralmente exigem um investimento mínimo de mais de 1 milhão de dólares). Agora, qualquer pessoa pode comprar via blockchain.
Por isso, protocolos como Ondo Finance estão crescendo.
O que Ondo faz é simples: reembala o BUIDL da BlackRock e outros produtos de RWA (ativos do mundo real) de nível institucional em frações menores, vendendo para usuários de DeFi. Seu produto OUSG, por exemplo, investe diretamente no BUIDL, permitindo que usuários comuns obtenham rendimentos anuais de 4-5% com títulos do Tesouro dos EUA.
A tokenização de títulos do Tesouro dos EUA explodiu em 2025, crescendo de menos de 200 milhões de dólares no início de 2024 para mais de 7,3 bilhões de dólares no final de 2025 (dados da RWA.xyz). A entrada da BlackRock, de certa forma, deu uma credibilidade regulatória ao setor de RWA.
02, Por que escolher USDC ao invés de USDT?
Tether(USDT) continua sendo o stablecoin dominante, com valor de mercado de 186,7 bilhões de dólares, representando 60% do mercado.
Mas o dinheiro inteligente está votando com os pés.
Em 2025, o valor de mercado do USDC cresceu de cerca de 44 bilhões para mais de 75 bilhões de dólares, um aumento de 73%. Enquanto isso, o USDT cresceu apenas 36%, de aproximadamente 1,37 trilhão para 1,87 trilhão de dólares. Este é o segundo ano consecutivo em que o crescimento do USDC supera o do USDT.
Por quê?
Resposta: regulação.
Em 18 de julho de 2025, o presidente dos EUA assinou o projeto de lei GENIUS, a primeira legislação federal do país voltada para stablecoins. A lei exige que “stablecoins de pagamento” tenham 100% de reservas (dinheiro em caixa ou títulos de curto prazo) e não paguem juros aos usuários.
O USDC da Circle atende completamente a esses requisitos. Além disso, a Circle tornou-se o primeiro emissor global a obter conformidade com o padrão MiCA da União Europeia.
O que isso significa?
Significa que o USDC obteve uma licença para entrar no sistema financeiro tradicional.
Quando a Stripe optou por aceitar stablecoins, escolheu o USDC. Quando a Visa lançou seu serviço de liquidação com stablecoins, escolheu o USDC. Quando a Shopify permite que comerciantes aceitem stablecoins, eles suportam o USDC.
Para bancos, empresas de pagamento e exchanges reguladas, o USDC é considerado um “ativo na lista branca”, enquanto o USDT, devido à transparência das reservas, enfrenta pressão para ser removido na Europa.
Mas a Tether não está preocupada.
Pois seu principal mercado não é os EUA ou a Europa, mas regiões de alta inflação — América Latina, África, Sudeste Asiático.
Em países como Argentina, Turquia e Nigéria, o USDT já substituiu parte da moeda local, tornando-se uma espécie de “dólar sombra”. Assim que recebem seus salários, as pessoas trocam por USDT para preservar valor.
O mercado de stablecoins está se dividindo em duas trajetórias claras:
USDC: caminho regulado, atendendo instituições e cenários de pagamento, com investidores como BlackRock, Fidelity, General Catalyst.
USDT: caminho offshore, atendendo mercados emergentes e cenários de trading, com posição insubstituível no Sul global.
03, A rendição ou evolução dos gigantes de pagamentos?
Em dezembro de 2025, a Visa anunciou o lançamento de um serviço de liquidação com USDC nos EUA.
Este é um momento histórico.
Antes, o modelo de negócios da Visa era cobrar de 1,5% a 3% por transação. Agora, permite que parceiros façam liquidação com USDC, com taxas muito menores.
Parece uma revolução interna. Mas, na verdade, a Visa está se defendendo.
Qual é a ameaça que a Visa enxerga?
Stablecoins estão minando seu negócio principal — pagamentos internacionais.
Pagamentos internacionais tradicionais envolvem múltiplos bancos intermediários, taxas em cascata, e levam de 3 a 5 dias para serem concluídos. Com stablecoins, o pagamento é instantâneo, com taxas inferiores a 1 dólar.
Segundo relatório da a16z, em 2025, o volume total de transações com stablecoins atingiu 46 trilhões de dólares (superando a Visa), com um volume ajustado de pagamento/liquidação de cerca de 9 trilhões de dólares, crescendo rapidamente e ameaçando a fatia de mercado de pagamentos internacionais e emergentes.
A estratégia da Visa é: se não consegue vencer, junta-se.
Ao lançar o serviço de liquidação com USDC, a Visa transformou-se de uma “ponte de pagamento” para uma “facilitadora de pagamentos”. Ela não cobra mais altas taxas, mas lucra oferecendo serviços adicionais de conformidade, gerenciamento de risco e combate à lavagem de dinheiro.
Ao mesmo tempo, outros gigantes de pagamento também estão agindo:
Stripe: em outubro de 2024, adquiriu a plataforma de infraestrutura de stablecoins Bridge por 1,1 bilhão de dólares, uma das maiores aquisições na história das criptomoedas.
PayPal: seu stablecoin PYUSD disparou 600% em 2025, de 600 milhões para 3,6 bilhões de dólares.
Western Union: planeja lançar uma stablecoin USDPT na Solana na primeira metade de 2026.
Dez bancos europeus uniram-se para criar a Qivalis, com planos de lançar uma stablecoin em euros na segunda metade de 2026.
Vale notar que os primeiros parceiros de Western Union e Visa escolheram a Solana como cadeia de liquidação, destacando as vantagens de blockchains de alto desempenho para cenários de pagamento — alta taxa de transferência e baixas taxas de transação.
04, Os bancos não ficarão de braços cruzados
Diante da pressão de instituições não bancárias (Circle, Tether) e gigantes de pagamento (Stripe, Visa), os bancos não ficaram de braços cruzados.
O JPMorgan foi o mais agressivo.
No início de 2026, o JPMorgan expandiu seu JPM Coin, da divisão Kinexys, para a rede Canton, permitindo interoperabilidade multi-chain. Não é uma stablecoin negociada publicamente, mas um “token de depósito”.
A média diária de transações do Kinexys já ultrapassa 3 bilhões de dólares. Ela atende grandes corporações como Siemens e BMW, para transferências de fundos entre subsidiárias globais em segundos.
A lógica do JPMorgan é clara:
Não precisamos emitir tokens na blockchain pública para competir com vocês. Basta manter nossos clientes presos na nossa blockchain privada, usando tecnologia blockchain para aumentar a eficiência, sem perder o controle.
Na Europa, o Société Générale foi mais longe. Sua subsidiária SG-FORGE lançou as stablecoins EURCV (euro) e USDCV (dólar), as primeiras stablecoins emitidas por um banco regulado na blockchain (Ethereum), e listadas na exchange regulada Bitstamp.
Mas é importante notar que o JPM Coin e o USDCV, essas stablecoins bancárias, atendem principalmente clientes corporativos, não o mercado de varejo. Elas representam a estratégia de bancos tradicionais adotando blockchain, mantendo o controle centralizado.
05, As tendências de stablecoins se consolidam
Resumindo, o mercado de stablecoins em 2026 apresenta quatro tendências claras:
Tokenização de RWA acelerada
BlackRock, Ondo, Franklin Templeton estão emitindo títulos do Tesouro dos EUA e fundos de mercado monetário tokenizados. Essa tendência explodiu em 2025, crescendo de menos de 200 milhões de dólares no início de 2024 para mais de 7,3 bilhões de dólares, um aumento de mais de 35 vezes. Instituições financeiras tradicionais estão tokenizando para trazer os rendimentos dos títulos do Tesouro para o mundo da blockchain.
Caminho regulatório cada vez mais claro
USDC cresceu 73%, superando o USDT por dois anos consecutivos. Após a aprovação do projeto de lei GENIUS, a conformidade regulatória tornou-se o única opção para grandes players. Investidores como BlackRock e Fidelity, que apoiam o USDC, podem, em 2026, lançar suas próprias plataformas, marcando um marco importante na indústria de stablecoins.
Reconstrução da infraestrutura de pagamentos
Stripe adquiriu a Bridge por 1,1 bilhão de dólares em 2024, Visa lançou USDC para liquidação, PayPal viu seu PYUSD subir 600%. Grandes empresas de pagamento estão integrando stablecoins em suas infraestruturas, não apenas se defendendo, mas evoluindo. Blockchains de alto desempenho como Solana, com alta taxa de transferência e baixas taxas, estão se tornando preferidas para aplicações empresariais.
Divergência de mercado
Stablecoins deixam de ser “estáveis” e se dividem em dois caminhos distintos:
Stablecoins de pagamento (USDC, PYUSD): sem juros, com respaldo regulatório, voltadas para instituições e comerciantes.
Stablecoins de rendimento (Ondo USDY, Ethena USDe): oferecendo 4-5% de rendimento anual, atraindo fundos DeFi.
06, Conclusão
Quando a BlackRock começa a lançar fundos na blockchain, a Visa usa USDC para liquidação, e o JPMorgan realiza 3 bilhões de dólares em liquidações diárias — stablecoins deixam de ser uma história de “criptomoeda” e se tornam o início de uma reconstrução do sistema financeiro.
Isso não é hype, nem conceito. Em 2025, o volume total de transações com stablecoins atingiu 46 trilhões de dólares, com um volume ajustado de pagamento/liquidação de 9 trilhões. São fluxos comerciais reais.
A entrada de gigantes tradicionais indica que as stablecoins estão deixando de ser “brinquedos do mundo cripto” para se tornarem “infraestrutura financeira global”. Para quem acompanha esse mercado, o importante não é prever o próximo hype, mas entender a lógica subjacente a essa transformação.
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BlackRock, a aposta ousada de stablecoins da Visa, o que o dinheiro inteligente percebeu?
Autor | Cathy, Blockchain de Conversa (ID: hellobtc)
Janeiro de 2026, o valor de mercado global de stablecoins ultrapassou os 317 mil milhões de dólares, atingindo um recorde histórico.
Mas o que realmente merece atenção não é esse número em si, mas as tendências por trás dele: o USDC da Circle disparou 73% em 2025, crescendo mais rápido que o USDT da Tether pelo segundo ano consecutivo (36%). E em dezembro de 2025, a Visa anunciou o lançamento de um serviço de liquidação com USDC nos EUA.
Quando a maior rede de pagamentos do mundo começa a usar stablecoins para liquidação, quando a BlackRock, que gere 10 trilhões de dólares em ativos, lança fundos de moeda na blockchain, e quando o JPMorgan realiza liquidações diárias de 3 bilhões de dólares via blockchain — o que esses gigantes tradicionais estão vendo?
01, Por que os gigantes financeiros tradicionais estão all-in na cadeia?
Em março de 2024, a BlackRock lançou o BUIDL — um fundo de mercado monetário tokenizado.
Não é a primeira vez que a BlackRock experimenta blockchain, mas é a primeira vez que o faz de forma tão agressiva. O BUIDL é emitido diretamente na blockchain pública, detém títulos do Tesouro dos EUA e dinheiro em caixa, mantém um valor líquido de 1 dólar e distribui lucros mensalmente aos detentores.
O BUIDL ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares em março de 2025, tornando-se o primeiro fundo na blockchain a atingir esse tamanho. No final de 2025, seu valor já ultrapassava 2 bilhões de dólares, sendo atualmente o maior fundo tokenizado.
O que a BlackRock viu?
A resposta é simples: eficiência e custos.
Fundos tradicionais de mercado monetário, para subscrição e resgate, precisam de T+1 ou T+2 de liquidação, e transferências internacionais passam pelo sistema SWIFT, com várias taxas. Já os fundos na blockchain, as transferências são instantâneas, com taxas inferiores a 1 dólar, operando 24/7.
Mais importante ainda, o BUIDL abriu um canal de distribuição totalmente novo. Antes, investidores de varejo tinham dificuldade em comprar fundos de mercado monetário (que geralmente exigem um investimento mínimo de mais de 1 milhão de dólares). Agora, qualquer pessoa pode comprar via blockchain.
Por isso, protocolos como Ondo Finance estão crescendo.
O que Ondo faz é simples: reembala o BUIDL da BlackRock e outros produtos de RWA (ativos do mundo real) de nível institucional em frações menores, vendendo para usuários de DeFi. Seu produto OUSG, por exemplo, investe diretamente no BUIDL, permitindo que usuários comuns obtenham rendimentos anuais de 4-5% com títulos do Tesouro dos EUA.
A tokenização de títulos do Tesouro dos EUA explodiu em 2025, crescendo de menos de 200 milhões de dólares no início de 2024 para mais de 7,3 bilhões de dólares no final de 2025 (dados da RWA.xyz). A entrada da BlackRock, de certa forma, deu uma credibilidade regulatória ao setor de RWA.
02, Por que escolher USDC ao invés de USDT?
Tether(USDT) continua sendo o stablecoin dominante, com valor de mercado de 186,7 bilhões de dólares, representando 60% do mercado.
Mas o dinheiro inteligente está votando com os pés.
Em 2025, o valor de mercado do USDC cresceu de cerca de 44 bilhões para mais de 75 bilhões de dólares, um aumento de 73%. Enquanto isso, o USDT cresceu apenas 36%, de aproximadamente 1,37 trilhão para 1,87 trilhão de dólares. Este é o segundo ano consecutivo em que o crescimento do USDC supera o do USDT.
Por quê?
Resposta: regulação.
Em 18 de julho de 2025, o presidente dos EUA assinou o projeto de lei GENIUS, a primeira legislação federal do país voltada para stablecoins. A lei exige que “stablecoins de pagamento” tenham 100% de reservas (dinheiro em caixa ou títulos de curto prazo) e não paguem juros aos usuários.
O USDC da Circle atende completamente a esses requisitos. Além disso, a Circle tornou-se o primeiro emissor global a obter conformidade com o padrão MiCA da União Europeia.
O que isso significa?
Significa que o USDC obteve uma licença para entrar no sistema financeiro tradicional.
Quando a Stripe optou por aceitar stablecoins, escolheu o USDC. Quando a Visa lançou seu serviço de liquidação com stablecoins, escolheu o USDC. Quando a Shopify permite que comerciantes aceitem stablecoins, eles suportam o USDC.
Para bancos, empresas de pagamento e exchanges reguladas, o USDC é considerado um “ativo na lista branca”, enquanto o USDT, devido à transparência das reservas, enfrenta pressão para ser removido na Europa.
Mas a Tether não está preocupada.
Pois seu principal mercado não é os EUA ou a Europa, mas regiões de alta inflação — América Latina, África, Sudeste Asiático.
Em países como Argentina, Turquia e Nigéria, o USDT já substituiu parte da moeda local, tornando-se uma espécie de “dólar sombra”. Assim que recebem seus salários, as pessoas trocam por USDT para preservar valor.
O mercado de stablecoins está se dividindo em duas trajetórias claras:
USDC: caminho regulado, atendendo instituições e cenários de pagamento, com investidores como BlackRock, Fidelity, General Catalyst.
USDT: caminho offshore, atendendo mercados emergentes e cenários de trading, com posição insubstituível no Sul global.
03, A rendição ou evolução dos gigantes de pagamentos?
Em dezembro de 2025, a Visa anunciou o lançamento de um serviço de liquidação com USDC nos EUA.
Este é um momento histórico.
Antes, o modelo de negócios da Visa era cobrar de 1,5% a 3% por transação. Agora, permite que parceiros façam liquidação com USDC, com taxas muito menores.
Parece uma revolução interna. Mas, na verdade, a Visa está se defendendo.
Qual é a ameaça que a Visa enxerga?
Stablecoins estão minando seu negócio principal — pagamentos internacionais.
Pagamentos internacionais tradicionais envolvem múltiplos bancos intermediários, taxas em cascata, e levam de 3 a 5 dias para serem concluídos. Com stablecoins, o pagamento é instantâneo, com taxas inferiores a 1 dólar.
Segundo relatório da a16z, em 2025, o volume total de transações com stablecoins atingiu 46 trilhões de dólares (superando a Visa), com um volume ajustado de pagamento/liquidação de cerca de 9 trilhões de dólares, crescendo rapidamente e ameaçando a fatia de mercado de pagamentos internacionais e emergentes.
A estratégia da Visa é: se não consegue vencer, junta-se.
Ao lançar o serviço de liquidação com USDC, a Visa transformou-se de uma “ponte de pagamento” para uma “facilitadora de pagamentos”. Ela não cobra mais altas taxas, mas lucra oferecendo serviços adicionais de conformidade, gerenciamento de risco e combate à lavagem de dinheiro.
Ao mesmo tempo, outros gigantes de pagamento também estão agindo:
Stripe: em outubro de 2024, adquiriu a plataforma de infraestrutura de stablecoins Bridge por 1,1 bilhão de dólares, uma das maiores aquisições na história das criptomoedas.
PayPal: seu stablecoin PYUSD disparou 600% em 2025, de 600 milhões para 3,6 bilhões de dólares.
Western Union: planeja lançar uma stablecoin USDPT na Solana na primeira metade de 2026.
Dez bancos europeus uniram-se para criar a Qivalis, com planos de lançar uma stablecoin em euros na segunda metade de 2026.
Vale notar que os primeiros parceiros de Western Union e Visa escolheram a Solana como cadeia de liquidação, destacando as vantagens de blockchains de alto desempenho para cenários de pagamento — alta taxa de transferência e baixas taxas de transação.
04, Os bancos não ficarão de braços cruzados
Diante da pressão de instituições não bancárias (Circle, Tether) e gigantes de pagamento (Stripe, Visa), os bancos não ficaram de braços cruzados.
O JPMorgan foi o mais agressivo.
No início de 2026, o JPMorgan expandiu seu JPM Coin, da divisão Kinexys, para a rede Canton, permitindo interoperabilidade multi-chain. Não é uma stablecoin negociada publicamente, mas um “token de depósito”.
A média diária de transações do Kinexys já ultrapassa 3 bilhões de dólares. Ela atende grandes corporações como Siemens e BMW, para transferências de fundos entre subsidiárias globais em segundos.
A lógica do JPMorgan é clara:
Não precisamos emitir tokens na blockchain pública para competir com vocês. Basta manter nossos clientes presos na nossa blockchain privada, usando tecnologia blockchain para aumentar a eficiência, sem perder o controle.
Na Europa, o Société Générale foi mais longe. Sua subsidiária SG-FORGE lançou as stablecoins EURCV (euro) e USDCV (dólar), as primeiras stablecoins emitidas por um banco regulado na blockchain (Ethereum), e listadas na exchange regulada Bitstamp.
Mas é importante notar que o JPM Coin e o USDCV, essas stablecoins bancárias, atendem principalmente clientes corporativos, não o mercado de varejo. Elas representam a estratégia de bancos tradicionais adotando blockchain, mantendo o controle centralizado.
05, As tendências de stablecoins se consolidam
Resumindo, o mercado de stablecoins em 2026 apresenta quatro tendências claras:
Tokenização de RWA acelerada
BlackRock, Ondo, Franklin Templeton estão emitindo títulos do Tesouro dos EUA e fundos de mercado monetário tokenizados. Essa tendência explodiu em 2025, crescendo de menos de 200 milhões de dólares no início de 2024 para mais de 7,3 bilhões de dólares, um aumento de mais de 35 vezes. Instituições financeiras tradicionais estão tokenizando para trazer os rendimentos dos títulos do Tesouro para o mundo da blockchain.
Caminho regulatório cada vez mais claro
USDC cresceu 73%, superando o USDT por dois anos consecutivos. Após a aprovação do projeto de lei GENIUS, a conformidade regulatória tornou-se o única opção para grandes players. Investidores como BlackRock e Fidelity, que apoiam o USDC, podem, em 2026, lançar suas próprias plataformas, marcando um marco importante na indústria de stablecoins.
Reconstrução da infraestrutura de pagamentos
Stripe adquiriu a Bridge por 1,1 bilhão de dólares em 2024, Visa lançou USDC para liquidação, PayPal viu seu PYUSD subir 600%. Grandes empresas de pagamento estão integrando stablecoins em suas infraestruturas, não apenas se defendendo, mas evoluindo. Blockchains de alto desempenho como Solana, com alta taxa de transferência e baixas taxas, estão se tornando preferidas para aplicações empresariais.
Divergência de mercado
Stablecoins deixam de ser “estáveis” e se dividem em dois caminhos distintos:
Stablecoins de pagamento (USDC, PYUSD): sem juros, com respaldo regulatório, voltadas para instituições e comerciantes.
Stablecoins de rendimento (Ondo USDY, Ethena USDe): oferecendo 4-5% de rendimento anual, atraindo fundos DeFi.
06, Conclusão
Quando a BlackRock começa a lançar fundos na blockchain, a Visa usa USDC para liquidação, e o JPMorgan realiza 3 bilhões de dólares em liquidações diárias — stablecoins deixam de ser uma história de “criptomoeda” e se tornam o início de uma reconstrução do sistema financeiro.
Isso não é hype, nem conceito. Em 2025, o volume total de transações com stablecoins atingiu 46 trilhões de dólares, com um volume ajustado de pagamento/liquidação de 9 trilhões. São fluxos comerciais reais.
A entrada de gigantes tradicionais indica que as stablecoins estão deixando de ser “brinquedos do mundo cripto” para se tornarem “infraestrutura financeira global”. Para quem acompanha esse mercado, o importante não é prever o próximo hype, mas entender a lógica subjacente a essa transformação.
O dinheiro inteligente já está em ação.