Exportações de vinho francês sob pressão, à medida que o colapso do mercado chinês provoca prejuízo de 767 milhões de euros

Dados recentes do setor revelam que as exportações de vinho e destilados franceses enfrentam um terceiro ano consecutivo de contração, com tensões geopolíticas e barreiras comerciais criando um cenário cada vez mais desafiador. O setor exportou produtos no valor de 14,3 mil milhões de euros em 2025, uma queda de 8% em relação ao ano anterior, enquanto os volumes caíram 3% para 168 milhões de caixas. Essa fraqueza sustentada fez com que o vinho e os destilados franceses passassem de serem a segunda maior categoria de exportação do país para a terceira, agora atrás dos setores aeroespacial e de cosméticos.

Os prejuízos na receita de exportação de vinho na França acumulam-se dramaticamente ao longo de três anos: desde 2022, o setor contraiu-se em 17% no valor total, sinalizando uma mudança estrutural na dinâmica do comércio global que vai muito além de flutuações temporárias do mercado.

A Contagem de China: 767 Milhões de Euros em Jogo

A crise de importação na China representa talvez o golpe mais severo para os exportadores franceses. As vendas para o mercado asiático caíram 20%, atingindo 767 milhões de euros em 2025, uma queda impulsionada principalmente pelos direitos antidumping de Pequim sobre conhaque, armagnac e outros destilados à base de vinho. O conhaque, tradicionalmente a principal bebida francesa nos mercados globais, sofreu danos particularmente severos — os volumes contraíram-se 15%, enquanto os valores caíram 24%, tornando-se uma das maiores vítimas das tensões comerciais crescentes entre Paris e Pequim.

Gabriel Picard, presidente da FEVS (Federação de Vinhos e Destilados da França), resumiu a gravidade da situação de forma direta: “As tensões geopolíticas entre França e China marcaram o fim do conhaque na China. Parar algo não leva muito tempo, mas reconstruir leva muito.” Suas palavras destacam uma realidade econômica crucial: restaurar o acesso ao mercado e a confiança do consumidor exige muito mais tempo e investimento do que a imposição rápida de barreiras comerciais.

Mercados Americanos Enfrentam Pressões Crescentes

Os Estados Unidos apresentaram outro obstáculo, embora com mecanismos diferentes. Tarifas mais elevadas sobre as remessas para a América, agravadas por ameaças de tarifas de até 200%, reduziram significativamente a procura durante a segunda metade de 2025. As compras americanas caíram 21%, atingindo 3,0 mil milhões de euros, com volumes abaixo de 30 milhões de caixas. Picard alertou que “a correção de volume pode não ter sido suficiente” e sugeriu que uma nova contração poderia ocorrer em 2026, sem melhorias no acesso ao mercado.

Resiliência Europeia e Oportunidades em Mercados Emergentes

Dentro da Europa, o panorama permaneceu mais estável. As exportações de vinho e destilados mantiveram-se relativamente constantes, em 4,1 mil milhões de euros, com destaque para o Reino Unido, onde os volumes aumentaram 3%, apesar das pressões fiscais locais. Além dos mercados tradicionais, regiões emergentes mostraram potencial: a África do Sul cresceu 22%, atingindo 182 milhões de euros, enquanto Vietname, Filipinas e Austrália demonstraram forte impulso. Esses mercados diversificados oferecem linhas de vida essenciais enquanto as relações comerciais estabelecidas enfrentam desafios estruturais.

Olhando para o Futuro: A Recuperação Depende de Soluções Comerciais

As perspetivas para 2026 apresentam sinais mistos. Embora a liderança da FEVS veja benefícios potenciais em novos acordos comerciais da UE com a Índia e o bloco do Mercosul — regiões onde a procura continua a expandir-se — o setor enfrenta obstáculos contínuos sem melhorias significativas no acesso ao mercado dos EUA e da China. A reconstrução da confiança e das redes de distribuição em mercados danificados, como a China, poderá estender-se bem além do presente ano, exigindo avanços diplomáticos e investimentos sustentados da indústria.

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