De títulos tokenizados a plataformas de ativos digitais, qual é o próximo passo de Hong Kong?

作者:Conflux

Na rápida evolução do sistema financeiro global rumo a uma nova era de ‘tokenização’, Hong Kong está a avançar com uma estratégia abrangente de ativos digitais.

Em 25 de fevereiro, o Secretário das Finanças de Hong Kong, Paul Chan, revelou no orçamento que Hong Kong estabelecerá até ao final do ano uma nova plataforma de ativos digitais para suportar a emissão e liquidação de obrigações tokenizadas, expandindo-se progressivamente para outras categorias de ativos digitais.

Esta não é uma simples atualização tecnológica financeira, mas uma jogada estratégica de Hong Kong na corrida global pela infraestrutura de ativos digitais, visando uma renovação completa da sua posição como centro financeiro internacional através de uma modernização da ‘infraestrutura digital’.

A pedra angular do ‘Portal Digital Asiático’

Este orçamento delineia claramente o plano estratégico de Hong Kong na área de ativos digitais. Liderada pela CMU OmniClear Holdings, uma subsidiária do Hong Kong Monetary Authority, a plataforma de ativos digitais tem como objetivo principal a visão ambiciosa de um ‘Portal Digital Asiático’:

  • Plataforma dedicada: criar uma plataforma específica para emissão e liquidação de ativos digitais, inicialmente focada em obrigações tokenizadas, com expansão gradual para outras categorias de ativos digitais.
  • Interconectividade regional: o Secretário das Finanças, Paul Chan, afirmou que a plataforma será interligada com outras plataformas de tokenização na região. Este movimento visa não só fortalecer a infraestrutura local, mas também construir um centro financeiro digital que irradie por toda a Ásia e conecte o mundo.
  • Incentivos ecológicos: a Autoridade Monetária também lançará o ‘Programa de Financiamento de Obrigações Digitais’ para incentivar a emissão de mais obrigações digitais em Hong Kong, acelerando o crescimento do ecossistema de mercado.

Este esforço marca uma intervenção profunda de Hong Kong na construção de infraestrutura de base de ativos digitais, combinando força institucional e incentivos de mercado, com a intenção de transformar Hong Kong num núcleo de uma rede de ativos digitais, indo além de uma simples adaptação às tendências de mercado.

Avanços na ‘Tokenização’

O envolvimento de Hong Kong na ‘tokenização’ não começou ontem.

  • Demonstração governamental: Paul Chan revelou que, no quarto trimestre de 2025, Hong Kong terá emitido com sucesso a terceira série de obrigações governamentais tokenizadas, no valor de 10 bilhões de dólares de Hong Kong. A emissão continuará a ser uma prática regular. Assim, o governo fornece um exemplo claro de ‘tokenização’ ao mercado.
  • Expansão do mercado: a Securities and Futures Commission (SFC) de Hong Kong já autorizou corretoras licenciadas a oferecer garantias financeiras digitais e contratos perpétuos de criptomoedas a investidores profissionais. Isso significa que, enquanto constrói infraestrutura, Hong Kong também está a ampliar a profundidade e liquidez do mercado de ativos digitais.

A direção política de Hong Kong está clara: integrar ‘tokenização’ e ‘infraestrutura de ativos digitais’ como componentes centrais do sistema financeiro, acelerando sua transição do periférico para o núcleo.

Políticas atrativas de suporte

Além de infraestrutura e expansão de mercado, Hong Kong também aposta em políticas altamente atrativas na área de fluxo de riqueza.

  • Atrair capitais globais: Paul Chan afirmou que, para atrair mais escritórios familiares e fundos para Hong Kong, o sistema fiscal será otimizado. Mais importante, ativos digitais, metais preciosos, entre outros, serão classificados como ‘investimentos elegíveis’ para benefícios fiscais. Essa medida deve entrar em vigor no ano fiscal de 2025/2026, com uma proposta de revisão legislativa a ser submetida na primeira metade do ano.
  • Alinhamento com padrões internacionais: nos próximos dois anos, Hong Kong implementará o quadro de declaração de ativos criptográficos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e as novas normas de reporte comum (CRS) revisadas.

A otimização fiscal abre uma ‘porta da riqueza’ para investidores globais em ativos digitais. Por outro lado, isso também demonstra que Hong Kong não busca atrair mercado por relaxamento regulatório, mas reforçando a transparência fiscal e a troca de informações transfronteiriças, integrando os ativos digitais ao sistema de investimentos mainstream.

O futuro ‘Financeiro +’ de Hong Kong

Paul Chan mencionou várias vezes em seu discurso de orçamento o conceito de ‘Financeiro +’, destacando o papel do setor financeiro na capacitação do desenvolvimento industrial. Os ativos digitais são o motor central do ‘Financeiro +’, permitindo a tokenização de ativos do mundo real e abrindo um mercado de trilhões de dólares.

A estratégia de Hong Kong visa, fundamentalmente: num momento de mudanças no sistema financeiro tradicional e de rápida reestruturação do cenário monetário global, a cidade tenta, por meio de ‘infraestrutura digital’ e ‘tokenização’, reafirmar sua competitividade central no sistema financeiro mundial. Essa escolha estratégica não só reforça sua posição como centro financeiro, mas também antecipa a construção de uma ‘infraestrutura financeira global de próxima geração’.

Cada passo de Hong Kong influencia profundamente o caminho do desenvolvimento de ativos digitais na Ásia e no mundo, e desempenhará um papel cada vez mais importante na definição de regras e na distribuição de poder no universo das moedas digitais. Nesse cenário de uma ‘reconstrução de poder’ global centrada em ativos digitais, Hong Kong sem dúvida se consolidou como um dos atores mais estratégicos.

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