A crise climática brasileira impulsiona o café arábica para alturas de 4 semanas, com ventos favoráveis na moeda

O café Arabica subiu dramaticamente hoje, registando +3,70% para atingir um pico mensal, enquanto os contratos de robusta ganharam +1,61% numa recuperação generalizada nos mercados de café. A força do preço reflete uma confluência de fatores otimistas centrados nos riscos de produção e na dinâmica cambial nas maiores regiões produtoras de café do mundo.

Aperto de Oferta no Brasil Alimenta a Rally do Arabica

O principal catalisador decorre das condições secas na faixa de produção de café do Brasil. Minas Gerais, que representa a maioria da produção de arabica do Brasil, registou apenas 47,9mm de precipitação semanal—aproximadamente 67% do seu normal histórico. Este défice de humidade ameaça o desenvolvimento da colheita a curto prazo e revitalizou o sentimento otimista nos contratos de arabica.

Para agravar a situação, o real brasileiro valorizou-se para um máximo de um mês face ao dólar. Uma moeda doméstica mais forte normalmente desencoraja os exportadores de café de venderem no estrangeiro, pois as receitas convertem-se em menos reais. Esta dinâmica restringe efetivamente os fluxos de oferta a curto prazo do maior produtor de arabica do mundo, apoiando ainda mais os preços.

Dinâmicas Globais de Inventário Têm Efeitos Contraditórios

Os stocks de café monitorizados pela ICE apresentam um quadro misto. As reservas de arabica estabilizaram-se em torno de 456.477 sacos após uma queda para 398.645 sacos em meados de novembro—o nível mais baixo em 1,75 anos. Os inventários de robusta também atingiram o fundo antes de se recuperarem, sugerindo que o fornecimento físico permanece criticamente apertado em ambas as variedades.

No entanto, este suporte de inventário enfrenta obstáculos devido às previsões de aumento de produção. A agência de produção do Brasil, Conab, elevou a sua estimativa de produção para 2025 para 56,54 milhões de sacos, um aumento de 2,4% face às estimativas anteriores. Entretanto, o Vietname—o maior produtor de robusta do mundo—está a aumentar a produção, com as exportações de café de 2025 a subir +17,5% face ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas.

Obstáculos à Demanda e o Fator Tarifário dos EUA

Os padrões de consumo de café nos EUA sofreram uma mudança notável. Quando as tarifas americanas sobre as importações brasileiras atingiram o pico sob a política recente, as compras de café brasileiro pelos EUA caíram 52% face ao ano anterior durante o período de agosto a outubro, chegando a cerca de 984.000 sacos. Embora as tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os stocks de café nos EUA permanecem limitados, restringindo a aceleração das importações a curto prazo, mesmo com a redução das tarifas.

A subida da produção no Vietnam apresenta outro fator imprevisível do lado da oferta. A produção do país está projetada para atingir 30,8 milhões de sacos em 2025/26, representando um aumento de 6,2% e um máximo de quatro anos. A Vicofa, associação da indústria do café no Vietnam, indicou potencial para uma produção ainda mais forte se o clima favorável persistir.

Pressões de Preço a Longo Prazo

O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma perspetiva global detalhada para 2025/26. A produção mundial total de café deverá atingir um recorde de 178,848 milhões de sacos, um aumento de 2,0% face ao ano anterior. Dentro desse total, a produção de arabica enfrenta obstáculos, com uma redução de -4,7% para 95,515 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta dispara +10,9% para 83,333 milhões de sacos.

As stocks finais estão previstas para diminuir, caindo -5,4% para 20,148 milhões de sacos, face aos 21,307 milhões de sacos do ano anterior. A Organização Internacional do Café observou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual caíram -0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos—um sinal de que a aceleração do fornecimento não acompanhou as expectativas de fluxo de exportação de base.

A força atual do mercado de café arabica equilibra riscos agudos de oferta a curto prazo com margem de produção a longo prazo. A seca no Brasil e a dinâmica cambial oferecem suporte a curto prazo, mas a expansão da produção vietnamita e as colheitas brasileiras melhoradas projetam uma eventual normalização da oferta. A direção dos preços dependerá, em última análise, de se as pressões climáticas no Brasil persistirem e da recuperação da procura após a recente fraqueza impulsionada pelas tarifas.

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