Fuga em massa de mineiros, retirada de fundos, aumento de juros no Japão — por que o Bitcoin está em apuros?

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Geração de resumo em curso

Esta semana não começou com o pé direito. O Bitcoin caiu para perto de 85.600 dólares, o Ethereum perdeu o suporte dos 3.000 dólares; ao mesmo tempo, as ações de empresas relacionadas a criptomoedas também sofreram uma forte queda — Strategy e Circle tiveram quedas próximas de 7% em um único dia, Coinbase caiu mais de 5%, e mineradoras como CLSK, HUT, WULF tiveram quedas que chegaram a mais de 10%. Desde as expectativas de aumento de juros do Banco do Japão, a incerteza na política futura do Federal Reserve, até o risco sistemático evitado por detentores de longo prazo, mineradores e formadores de mercado, toda essa queda tem raízes no macroeconômico que está em jogo.

Sinais na cadeia mais confiáveis: grande volume de Bitcoin entrando nas exchanges

O sinal mais direto de pressão de venda vem da cadeia. Em 15 de dezembro (UTC+8), o fluxo líquido de Bitcoin entrando nas exchanges atingiu 3764 BTC (aproximadamente 3,4 bilhões de dólares), atingindo um pico local. Entre eles, a Binance teve um fluxo líquido diário de 2285 BTC, oito vezes o nível normal — indicando claramente que grandes detentores estão se preparando para vender.

A plataforma de análise on-chain CheckOnChain detectou uma grande rotação na configuração de hash do Bitcoin, fenômeno comum em fases de pressão sobre os mineradores e contração de liquidez de mercado. Ainda mais preocupante, segundo dados da Glassnode, os detentores OG que não movimentam seus ativos há mais de 6 meses vêm saindo continuamente, especialmente de novembro até meados de fevereiro.

Ao mesmo tempo, a hash rate total da rede Bitcoin caiu drasticamente. Dados do F2Pool mostram que, até 15 de dezembro, a hash rate era de 988,49 EH/s, uma queda de 17,25% em uma semana. Há até rumores de que as operações de mineração no Xinjiang estão sendo gradualmente encerradas, e, considerando uma média de 250T por máquina, pelo menos 400 mil mineradoras já foram desligadas recentemente.

ETFs à vista também estão vendendo, o “dinheiro inteligente” faz operações contrárias

O desempenho do mercado de ETFs também não é animador. No mesmo dia, os ETFs de Bitcoin à vista tiveram uma saída líquida de cerca de 3,5 bilhões de dólares (aproximadamente 4000 BTC), sendo a Fidelity FBTC e a Grayscale GBTC/ETHE as principais fontes de saída. Os ETFs de Ethereum também seguiram o mesmo caminho, com uma saída líquida de cerca de 65 milhões de dólares (aproximadamente 21.000 ETH).

Curiosamente, segundo estatísticas da Bespoke Investment, desde que o ETF de Bitcoin da BlackRock, o IBIT, foi lançado, as posições mantidas fora do horário de negociação nos EUA renderam 222% de retorno, enquanto durante o horário de negociação houve uma perda de 40,5%. Isso indica que o “dinheiro inteligente” do mercado tradicional vende durante o dia e recompra à noite — uma arbitragem que revela a fragilidade do sentimento de mercado.

O comportamento dos formadores de mercado também merece atenção. Tomemos como exemplo a Wintermute: de final de novembro até início de dezembro, eles transferiram mais de 1,5 bilhão de dólares para as exchanges. Apesar de, entre 10 e 16 de dezembro, suas posições em BTC terem aumentado em 271 BTC, esse fluxo de capital em grande escala por si só já é suficiente para gerar preocupação no mercado.

O Banco do Japão é o verdadeiro responsável pela queda

Por que a política de um país do Leste Asiático pode causar uma turbulência global no mercado de criptomoedas? A resposta está na força do arbitragem do iene.

Dados históricos mostram que, sempre que o Banco do Japão aumenta as taxas, os detentores de Bitcoin enfrentam dificuldades. Nas últimas três vezes em que o Banco do Japão elevou as taxas, o Bitcoin caiu entre 20% e 30% em 4 a 6 semanas. Especificamente, após o aumento de março de 2024, o BTC caiu 27%; após o de julho, caiu 30%; e após o de janeiro de 2025, também caiu 30%. Agora, uma nova rodada de aumentos de juros está em andamento — a primeira desde janeiro de 2025, com uma probabilidade de 97% de aumento de 25 pontos-base, podendo atingir a maior taxa dos últimos 30 anos.

A questão central é: o Japão é o maior detentor estrangeiro de títulos do Tesouro dos EUA, com mais de 1,1 trilhão de dólares. Quando o Banco do Japão muda sua política, o impacto se reflete na oferta global de dólares, nos rendimentos dos títulos e em ativos de risco como o Bitcoin, que também sofrem oscilações.

Um mecanismo mais profundo é a quebra do arbitragem do iene. Por anos, investidores globais tomaram empréstimos em ienes a juros baixos e investiram em ações americanas, títulos ou criptoativos. Quando o Banco do Japão começa a aumentar as taxas, essas posições alavancadas de baixo custo são forçadas a ser fechadas, desencadeando uma cadeia de desalavancagem.

Ainda mais grave, o Banco do Japão já sinalizou sua política para 2026. Confirmaram que, a partir de janeiro de 2026, venderão ETFs no valor de aproximadamente 55 bilhões de dólares. Se continuarem a aumentar as taxas ou fizerem múltiplos aumentos no próximo ano, podemos enfrentar um ciclo vicioso de: mais aumentos de juros → venda acelerada de títulos → colapso na arbitragem do iene → forte recuo de ativos de risco.

A única forma de reverter essa situação é se o Banco do Japão, após esse aumento, permanecer inerte. Assim, após uma forte queda, o mercado pode ainda ter uma recuperação.

A incerteza do Federal Reserve faz o mercado se assustar sozinho

O Federal Reserve cortou juros na semana passada, o que deveria ser uma notícia positiva. Mas o foco do mercado mudou rapidamente para uma nova questão: quantas vezes mais o Fed cortará juros em 2026? E se a velocidade dessas reduções diminuir?

Duas informações importantes estão por vir nesta semana. A primeira é o dado de emprego (não agrícola), cuja expectativa é de um aumento de apenas 55 mil empregos, bem abaixo dos 110 mil anteriores. A segunda é o dado de CPI de 18 de dezembro, que pode levar o Fed a acelerar o processo de redução do balanço para contrabalançar a política de aperto do Banco do Japão.

A lógica é estranha: se os dados de emprego estiverem fracos, a economia estaria esfriando demais, o que normalmente favoreceria cortes de juros. Mas, se estiverem excessivamente fracos, o Fed pode ficar preocupado com uma recessão e adotar uma postura de observação, suspendendo novos cortes. Assim, a certeza de uma redução de juros desaparece.

Segundo previsão do Polymarket, há uma probabilidade de 78% de o Fed manter as taxas em janeiro, e apenas 22% de uma redução — ou seja, nos próximos seis meses, dificilmente veremos novos cortes. Essa incerteza prolongada é fatal para ativos de risco.

Além disso, o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu também terão reuniões nesta semana. A política monetária global está completamente dividida: o Japão está apertando, os EUA estão hesitando, a Europa está esperando. Esse ambiente de “liquidez inconsistente” costuma ser mais destrutivo para o Bitcoin do que uma política de aperto clara.

Resumo: vendas passivas sob tripla pressão

Essa queda não é causada por um único fator, mas pela combinação de três forças:

Primeiro, o Banco do Japão foi o primeiro a mudar para uma política de aperto, quebrando o equilíbrio da liquidez global, e o fechamento de posições em ienes gerou uma onda de desalavancagem mundial.

Segundo, a ambiguidade do Fed quanto ao caminho de política para 2026 reduziu drasticamente as expectativas de liquidez do dólar.

Terceiro, dados on-chain mostram que detentores de longo prazo, mineradores e formadores de mercado estão vendendo ativamente, indicando que até mesmo os players mais experientes estão se preparando para riscos maiores.

Quando a liquidez macroeconômica se contrai, as políticas permanecem incertas e os participantes reduzem posições coletivamente, a queda do Bitcoin para 85.600 dólares já é uma reação relativamente moderada. O mais importante agora é aguardar os dados de emprego e inflação dos EUA, além das decisões oficiais dos bancos centrais, pois o verdadeiro poder de precificação está nas mãos desses dados macroeconômicos.

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