Or e Bitcoin : duas estratégias de investimento divergentes em 2026

Para os investidores que procuram onde colocar o seu capital, o mercado envia sinais contraditórios. Por um lado, o ouro dispara para perto dos 5 000 dólares por onça. Por outro, o Bitcoin tem dificuldades em ultrapassar os 88 000 dólares, apresentando um atraso significativo em relação aos metais preciosos. Esta divergência levanta uma questão fundamental: qual ativo merece a preferência dos investidores informados?

A progressão espetacular do ouro face à estagnação do Bitcoin

Na quinta-feira passada, os metais preciosos tiveram um salto durante a sessão americana, impulsionando o ouro a um novo recorde de 4 930 dólares por onça. A prata não ficou atrás, ganhando 3,7 % para atingir 96 dólares por onça. Entretanto, o Bitcoin recuou ligeiramente acima de 89 000 dólares, registando uma queda de 2,6 % no período considerado.

Estes números escondem uma realidade mais preocupante para os investidores em criptomoedas. Nos últimos 14 meses, desde novembro de 2024, o Bitcoin apenas cresceu 2,6 %, enquanto a prata disparou 205 %, o ouro 83 %, o Nasdaq 24 % e o S&P 500 17,6 %. Em outras palavras, praticamente todos os outros ativos superaram o Bitcoin.

O espaço de debate entre analistas: momento de ajustamento ou perda de momentum?

O fraco desempenho do Bitcoin nos últimos meses alimentou um debate entre os especialistas do setor. Jim Bianco, responsável pela Bianco Research, considera que o relato de adoção do Bitcoin está a perder força. Segundo ele, «os anúncios de adoção já não funcionam mais. Precisamos de um novo tema e isso ainda não é evidente.»

Face a esta perspetiva alarmista, Eric Balchunas, analista principal de ETFs na Bloomberg, propõe uma interpretação diferente. Ele destaca que o Bitcoin encontra-se atualmente numa fase de consolidação após uma progressão notável. De dezembro de 2022 a outubro de 2024, o preço aumentou cerca de 300 % em 20 meses, passando de menos de 16 000 dólares aos picos de 126 000 dólares.

«O que queres? Ganhos anuais de 200 % sem interrupção?», retorque Balchunas, sugerindo que o mercado simplesmente digere os ganhos anteriores antes de uma nova fase de crescimento.

Os mecanismos subjacentes: realização de lucros e realocação de ativos

Balchunas identifica um fator frequentemente negligenciado: os primeiros investidores que realizam os seus lucros após muitos anos de detenção. Ele qualifica este fenómeno como uma «IPO silenciosa» do Bitcoin. Um exemplo emblemático: um investidor da era Satoshi vendeu mais de 9 mil milhões de dólares em Bitcoin em julho de 2025, após o ter mantido por mais de uma década.

Esta dinâmica explica em parte porque, apesar do relato dos «ativos tangíveis», o Bitcoin é negociado como um ativo de alto risco. Os investidores à procura de uma reserva de valor preferem agora ouro e prata físicos aos tokens digitais, uma tendência que reflete uma mudança na perceção do risco.

Os sinais do mercado: sentimento de greed para o ouro, medo para as criptomoedas

Os indicadores de sentimento contam uma história eloquente. O índice Gold Fear & Greed da JM Bullion indica um otimismo extremo relativamente aos metais preciosos, sugerindo que o mercado do ouro poderá estar demasiado cheio. O valor notional do mercado do ouro disparou cerca de 1,6 mil milhões de dólares num único dia.

Em contraste marcante, os indicadores semelhantes no universo das criptomoedas permanecem bloqueados na medo, indicando que o sentimento de alta ainda não retomou força. Esta dicotomia do sentimento explica em grande parte a trajetória divergente das duas classes de ativos.

Perspetiva a longo prazo: quando o investidor deve posicionar-se

O debate entre Bianco e Balchunas captura uma tensão fundamental nas estratégias de investimento: privilegiar o desempenho a curto prazo ou o crescimento estrutural a longo prazo. Balchunas recorda que, em novembro de 2024, o Bitcoin tinha crescido 122 % em um ano, superando largamente o ouro. Os metais, segundo ele, estão simplesmente a atravessar uma fase de recuperação.

Para os investidores, a escolha entre ouro e Bitcoin não se reduz a uma simples questão de timing. Trata-se de determinar se procura uma proteção contra a inflação (ouro) ou uma participação na disrupção tecnológica (Bitcoin), tendo em conta os ciclos de mercado e o sentimento dos investidores.

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