Negociação de futuros ao abrigo da lei Sharia: Porque a maioria dos estudiosos acredita que é proibida

robot
Geração de resumo em curso

A negociação de futuros é um tema preocupante para qualquer trader muçulmano devoto. Nas dúvidas de familiares e amigos, na dissuasão das famílias e no entrelaçamento de crenças internas, pode ter-se perguntado mais do que uma vez: Isto vai contra a minha fé? A minha prática comercial é reconhecida pela lei Sharia? Não é apenas uma questão financeira, é uma questão de equilibrar fé e estilo de vida.

Dilemas reais enfrentados pelos comerciantes muçulmanos

A negociação de futuros tornou-se um método de investimento convencional nos mercados financeiros globais, mas representa um sério desafio ético para os muçulmanos que seguem a lei Sharia. Muitos comerciantes muçulmanos estão presos num dilema entre oportunidades de mercado e obrigações religiosas. Pode querer participar no mercado de futuros para obter lucro, mas ao mesmo tempo preocupar-se se este comportamento está de acordo com os ensinamentos islâmicos. Este conflito psicológico é fundamental para compreender porque é que os estudiosos das finanças islâmicas são cautelosos em relação à negociação moderna de futuros.

Quatro grandes obstáculos legais islâmicos à negociação de futuros

A razão pela qual os estudiosos islâmicos reconhecem amplamente a negociação de futuros como “haram” (proibição) baseia-se principalmente nos seguintes quatro princípios fundamentais da Sharia:

Princípio da Incerteza (Gharar): Está a negociar ativos que não lhe pertencem de todo

O primeiro e mais fundamental problema da negociação de futuros reside no princípio da incerteza. Quando coloca uma ordem para negociar um contrato futuro, está essencialmente a comprar ou vender ativos que não são seus nem estão sob o seu controlo neste momento. Isto é uma violação direta de um princípio fundamental da lei islâmica. No tempo do Profeta Maomé, estava claramente escrito no hadith: “Não vendas o que não tens” – este é o ensinamento clássico na coleção de Hadith Tirmitz.

Quando se opera no mercado de futuros, esta antiga proibição ainda se aplica nas finanças modernas. Estão a negociar promessas de futuro, não com commodities ou ativos reais. Este elevado grau de incerteza e virtualidade, conhecido como “harar” (incerteza excessiva) no quadro jurídico islâmico, torna toda a transação legalmente inválida.

Interesse Oculto vs. Risco de Alavancagem (Riba): As armadilhas dos juros estão por todo o lado

O segundo obstáculo legal na negociação de futuros envolve o princípio do “riba” (juros). No trading moderno de futuros, a negociação de alavancagem e margem é quase padrão. Quando usa alavancagem para amplificar a sua operação, está essencialmente a pedir dinheiro emprestado ao corretor. Os custos associados a este empréstimo – sejam juros, taxas overnight ou custos de financiamento – constituem uma “riba” explicitamente proibida pela lei Sharia.

O Islão tem tolerância zero para qualquer forma de comércio de juros. Isto não é apenas uma questão numérica, mas uma questão ética fundamental. Cada vez que mantém uma posição durante a noite e cada taxa de alavancagem é deduzida, está a envolver-se num comportamento financeiro expressamente proibido pelo Islão. Isto coloca a negociação moderna de futuros – especialmente com alavancagem – numa posição claramente proibida dentro do quadro das finanças islâmicas.

A Fronteira entre Especulação e Jogo (Maisir): Os Perigos da Especulação Pura de Preços

O terceiro obstáculo legal diz respeito ao princípio do “maisir” (jogo). A proibição do jogo no Islão é absoluta. A negociação moderna de futuros gira frequentemente inteiramente em torno da especulação sobre flutuações de preço, onde os traders não se preocupam com o uso real ou valor comercial do ativo subjacente, apenas apostam na subida ou descida do preço.

Este comportamento não é diferente da essência do jogo. No jogo, apostas no resultado de um evento; No trading especulativo de futuros, apostas na direção do preço. Ambos envolvem alto risco, elevada incerteza e um componente puramente de sorte. A lei Sharia assume uma posição oposta a ambos os atos. Quando a negociação de futuros se transformou em pura especulação de preços, ultrapassou a linha para a zona “Maisir”, que é explicitamente proibida pelo Islão.

Atraso na Entrega e Validade Legal: O Princípio da Pontualidade na Lei Sharia

O quarto obstáculo diz respeito aos requisitos básicos do direito contratual islâmico. Em contratos comerciais islâmicos válidos, como o contrato de venda “Salam” ou o contrato de financiamento “Istisna”, existe um princípio intransigente: pelo menos um dos pagamentos e acordos deve ser instantâneo.

A negociação de futuros é o oposto – os pagamentos são adiados para o futuro, e a entrega é adiada para o futuro. Este duplo atraso torna os contratos futuros completamente inválidos do ponto de vista da lei islâmica. Isto não é apenas uma questão de tecnologia, mas toca no cerne da filosofia empresarial islâmica: honestidade, transparência e troca instantânea de valor.

Consenso Oficial dos Estudiosos das Finanças Islâmicas

As autoridades financeiras islâmicas mantêm uma posição surpreendentemente consistente sobre a questão da negociação de futuros. A Organização para a Contabilidade e Auditoria de Instituições Financeiras Islâmicas Internacionais (AAOIFI) proíbe explicitamente a negociação tradicional de futuros. Instituições educativas islâmicas tradicionais, como Darul Uloom Deoband, também frequentemente classificam a negociação de futuros como “haram”. Este amplo consenso académico reflete um conflito fundamental entre a negociação moderna de futuros e os princípios islâmicos.

Opiniões condicionalmente permissíveis de estudiosos minoritários

É justo salientar que nem todos os estudiosos islâmicos adotam a posição da proibição absoluta. Alguns economistas islâmicos modernos apresentaram a visão da permissibilidade condicional. Em condições rigorosas, algumas formas de contratos a prazo podem ser consideradas aceitáveis, mas estas condições são muito exigentes:

Os ativos negociados devem ser “halal” (halal legal) e ativos tangíveis, não puramente derivados financeiros. A contraparte deve já possuir os ativos em negociação, ou pelo menos ter o direito legal de os vender. Os contratos devem ser usados para fins legítimos de cobertura comercial, não para especulação. Nenhuma forma de alavancagem, juros ou venda a descoberto pode ser incluída na estrutura de negociação.

Nestas condições rigorosas, certas negociações podem estar mais próximas dos tradicionais contratos islâmicos “salam” ou acordos de financiamento “istisna” do que da negociação de futuros no sentido moderno. Mas mesmo neste caso, a sua legitimidade tem sido posta em causa por muitos estudiosos tradicionais.

Alternativas Práticas ao Investimento Halal

Se é um investidor muçulmano comprometido com a lei Sharia, não tem de abdicar dos seus objetivos de gestão de património e crescimento de capital. Existem muitas alternativas éticas no ecossistema das finanças islâmicas que podem alcançar objetivos de investimento:

Fundo Mútuo Islâmicoé a primeira escolha. Estes fundos especializam-se em investir em negócios e ativos certificados pela Sharia, continuamente regulados por consultores financeiros islâmicos independentes, garantindo que todas as decisões de investimento estão alinhadas com a Sharia.

Investimento em ações em conformidade com a lei ShariaDá-lhe a oportunidade de participar diretamente na economia real. Estas empresas não são apenas lucrativas, como, mais importante ainda, os seus modelos de negócio estão alinhados com princípios islâmicos e não envolvem rendimentos de juros, jogos de azar ou produtos ilegais.

Obrigações de Sue Cook(sukuk) representa o auge da inovação nas finanças islâmicas. Ao contrário do modelo de juros das obrigações tradicionais, o Sukuk liga os investidores à posse de ativos reais, oferecendo um método de investimento que se alinha com os princípios islâmicos, ao mesmo tempo que proporciona retornos estáveis.

Investimentos baseados em ativos reais(como imobiliário, projetos de infraestruturas) proporcionam oportunidades de investimento verdadeiramente relacionadas com a economia real da economia, evitando completamente a incerteza e a especulação na negociação de futuros.

Considerações Finais: A Forma de Equilibrar Fé e Finanças

A negociação tradicional de futuros é amplamente reconhecida como “haram” na lei Sharia por razões claras e sólidas – envolve negociações em ativos que não lhe pertencem, juros implícitos, pura especulação de preços e estruturas de entrega atrasadas que vão contra a lei contratual islâmica. Embora um número muito pequeno de estudiosos tenha proposto uma visão limitada e permitida sob condições rigorosas, esta visão está longe de representar a corrente principal das finanças islâmicas.

Além disso, aderir aos princípios das finanças islâmicas não significa que tenha de abdicar dos investimentos e do crescimento da riqueza. Nos mercados financeiros atuais, a opção de investimentos halal já é bastante rica – desde fundos mútuos islâmicos a ações em conformidade com a Sharia, desde obrigações Sukuk até projetos de investimento baseados em ativos reais. Estas alternativas não são apenas moral e religiosamente viáveis, mas também não inferiores em termos de retorno financeiro.

Como comerciante muçulmano, não se depara uma situação de “negociar ou desistir do investimento”, mas sim de “como investir”. Escolher o caminho do investimento halal significa que pode perseguir os seus objetivos financeiros mantendo a integridade da sua fé. Este é o verdadeiro movimento do vencedor.

Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
  • Recompensa
  • Comentar
  • Republicar
  • Partilhar
Comentar
0/400
Nenhum comentário
  • Fixar

Negocie cripto em qualquer lugar e a qualquer hora
qrCode
Digitalizar para transferir a aplicação Gate
Novidades
Português (Portugal)
  • 简体中文
  • English
  • Tiếng Việt
  • 繁體中文
  • Español
  • Русский
  • Français (Afrique)
  • Português (Portugal)
  • Bahasa Indonesia
  • 日本語
  • بالعربية
  • Українська
  • Português (Brasil)