A inflação é uma ameaça que se aproxima da sua carteira

Você sabe por que a sua avó está constantemente a repetir que antigamente tudo era muito mais barato? Por trás dessa nostálgia triste está um fenómeno económico real — a inflação é um processo pelo qual o poder de compra do dinheiro diminui gradualmente, enquanto os preços dos bens e serviços aumentam. Este fenómeno afeta todos nós, influenciando as nossas poupanças, salários e planos para o futuro. Para entender como a inflação funciona e por que ela acontece, é preciso olhar por baixo da superfície da economia.

Como surge a inflação: mecanismos principais

A inflação é consequência de um desequilíbrio entre a procura e a oferta. A um nível fundamental, existem dois cenários-chave. O primeiro — quando a massa monetária em circulação cresce mais rápido do que a produção real de bens. Exemplo histórico: quando exploradores europeus no século XV trouxeram para a Europa grandes volumes de ouro e prata do Novo Mundo, o aumento abrupto da oferta de dinheiro levou a um aumento de preços em toda a economia.

O segundo mecanismo funciona de forma diferente. Se a procura por um determinado bem aumenta de forma abrupta e os produtores não conseguem aumentar rapidamente a produção, os preços começam a subir. Este fenómeno local pode espalhar-se, provocando um aumento geral dos preços de quase todos os bens e serviços na economia.

Economistas distinguem três tipos principais de inflação, bem descritos no chamado modelo triangular, proposto pelo economista Robert Gordon.

Inflação de procura: quando todos querem

Este tipo de inflação é o mais comum e ocorre quando as pessoas querem comprar mais do que o mercado consegue oferecer. Imagine uma padaria urbana que produz mil pães por semana e vende exatamente essa quantidade. A economia melhora, as pessoas têm mais dinheiro, a procura por pão dispara para duas mil unidades por semana. O padeiro não consegue aumentar a produção instantaneamente — os fornos e a equipa estão no limite.

Nessa situação, faz sentido aumentar o preço. Alguns compradores aceitarão pagar mais, pois o pão tornou-se escasso. Se, ao mesmo tempo, aumenta a procura por leite, manteiga, carne e outros bens, a economia entra num período de inflação de procura. Todos querem mais, mas não há suficiente, e os preços sobem.

Inflação de custos: aumentam os custos, aumentam os preços

Outra situação é diferente. O padeiro expandiu a produção para quatro mil pães por semana — a procura é totalmente satisfeita, tudo está tranquilo. Mas de repente há uma má colheita de trigo. Os custos das matérias-primas sobem, e o padeiro tem de aumentar os preços do seu produto, mesmo que a procura permaneça igual. Esta é a inflação de custos — os preços sobem não por ganância, mas por aumento dos custos de produção.

Ao nível macroeconómico, essa inflação é provocada por: escassez de recursos críticos (petróleo, metais), aumento de impostos sobre bens, enfraquecimento da moeda nacional (produtos importados ficam mais caros) ou aumento dos salários sem aumento de produtividade.

Inflação embutida: eco do passado

Este é o tipo mais traiçoeiro. Se as duas primeiras formas de inflação persistirem por muito tempo, formam-se expectativas inflacionárias na economia. Os trabalhadores lembram-se de que os preços subiram e exigem salários mais altos para proteger os seus rendimentos. As empresas, vendo isso, aumentam os preços dos seus bens. Os trabalhadores percebem o aumento e voltam a exigir mais dinheiro. Surge um ciclo auto-reforçador, muito difícil de parar. A inflação embutida é quando a própria história de choques económicos começa a trabalhar contra a estabilidade.

Como os Estados combatem a inflação

A inflação descontrolada destrói a economia, por isso os bancos centrais e os governos combatem ativamente este fenómeno. O arsenal de ferramentas inclui política monetária e fiscal.

Aumento das taxas de juro — o caminho mais direto

Bancos centrais, como o Federal Reserve dos EUA, aumentam as taxas de juro para tornar o crédito mais caro. Quando o dinheiro fica mais caro de emprestar, as pessoas gastam menos, a procura diminui, e os preços deixam de subir. Contudo, este método tem um efeito secundário — o crescimento pode desacelerar, pois as empresas e os agregados familiares tornam-se mais cautelosos com os investimentos.

Operações de política monetária

O Federal Reserve pode alterar a própria massa monetária. A flexibilização quantitativa (QE) — compra de ativos com o objetivo de injectar dinheiro na economia. Surpreendentemente, isto pode aumentar a inflação e é usado em situações contrárias. A política oposta — aperto quantitativo (QT) — reduz a oferta de dinheiro e ajuda a controlar a inflação.

Política fiscal: impostos e gastos

O Estado pode alterar a tributação. Aumentar o imposto de renda reduz a renda disponível das pessoas, que gastam menos, a procura diminui. Funciona, mas é politicamente arriscado — os impostos são sempre impopulares. Reduzir os gastos públicos tem um efeito semelhante.

Como se mede a inflação

Para tomar decisões corretas, é preciso conhecer a dimensão do problema. Na maioria dos países, usa-se o índice de preços ao consumidor (IPC). Este acompanha os preços de uma cesta de bens e serviços típicos que as famílias compram — comida, transporte, habitação, lazer.

O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS) recolhe mensalmente dados de preços em lojas por todo o país. Se, num ano base, o IPC for 100, e após dois anos atingir 110, significa que os preços aumentaram 10%. Matemática simples, mas uma ferramenta poderosa para monitorizar a saúde da economia.

Uma inflação de 2-3% ao ano é considerada normal e até benéfica. É um fenómeno natural no sistema de dinheiro fiduciário, que incentiva as pessoas a não guardar dinheiro debaixo do colchão, mas a investir ou gastar.

Dois lados da mesma moeda: vantagens e desvantagens

Pode parecer que a inflação é um mal absoluto, mas a realidade é mais complexa.

O que há de bom na inflação

Estímulo ao consumo e ao investimento. Sabendo que o dinheiro amanhã valerá menos, as pessoas preferem gastá-lo hoje. Isto estimula o consumo, as empresas expandem a produção, contratam mais pessoas. Os investimentos também tornam-se mais atractivos — é melhor comprar um escritório ou equipamento do que manter dinheiro parado.

Aumento da rentabilidade das empresas. As empresas podem aumentar os preços dos seus bens acima do aumento dos custos e obter lucros adicionais. Isto ajuda-as a investir no crescimento.

Melhor do que a déflação. O oposto da inflação — a déflação, quando os preços caem — é muito pior. As pessoas adiam compras à espera de preços ainda mais baixos, a procura diminui, o desemprego aumenta, a economia entra em estagnação.

O que há de mau na inflação

Dano às poupanças. Se poupou 100 mil rublos para o futuro, em dez anos, com alta inflação, eles valerão muito menos. Os pensionistas sofrem especialmente, pois as suas rendas não aumentam na mesma proporção dos preços.

Hiperinflação — o pesadelo da economia. Quando a inflação sai do controlo e os preços sobem mais de 50% ao mês, é hiperinflação. O dinheiro perde valor literalmente aos olhos. Aquilo que custava 10 dólares há um mês, agora custa 15. A moeda deixa de servir como meio de poupança, as pessoas passam a usar moedas estrangeiras ou bens.

Incerteza paralisante. Quando a inflação é alta e imprevisível, tanto empresas como famílias perdem confiança. Economizam menos, congelam contratações, e o crescimento económico desacelera.

Intervenção do Estado que mina o mercado livre. Alguns economistas criticam as tentativas do governo de “imprimir dinheiro” e controlar artificialmente a inflação, vendo nisso uma violação das leis naturais do mercado.

Conclusão principal

A inflação é uma parte intrínseca da economia moderna. Não é um inimigo número um — uma inflação baixa até é benéfica. Mas, se sai do controlo, as consequências podem ser catastróficas. A chave para o bem-estar é uma política monetária e fiscal flexível, que permita aos governos reagir às mudanças, mantendo a inflação dentro de limites saudáveis. Uma gestão bem-sucedida da inflação é um equilíbrio entre estimular o crescimento económico e proteger o valor real do dinheiro dos cidadãos.

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