O mercado de infraestrutura de data centers segue em pleno funcionamento, desafiando as previsões pessimistas sobre o fim da onda de investimento em inteligência artificial. Enquanto os temores em torno de uma possível bolha de IA têm impactado significativamente os preços de ações tecnológicas, a realidade operacional nos bastidores conta uma história diferente. Mineradores de Bitcoin e desenvolvedores de centros de dados continuam competindo agressivamente por megawatts de energia, mantendo um dinamismo que se reflete nos lucros substanciais das transações de M&A (fusões e aquisições) que ocorrem silenciosamente em Wall Street.
De acordo com Joe Nardini, chefe de banco de investimento da B. Riley Securities, a razão é simples e fundamental: as pessoas ainda precisam de energia. “O trabalho de fusões e aquisições continua ativo, pois empresas de tecnologia, mineradores e desenvolvedores de IA precisam de capacidade de potência,” destaca Nardini. A demanda por energia oriunda de operações de mineração de Bitcoin persiste em níveis “enormes”, mas é ofuscada pela procura ainda maior proveniente de aplicações de inteligência artificial e computação de alto desempenho (HPC). Os dados operacionais coletados de clientes de data centers e mineração indicam uma solicitação sustentada por instalações preparadas especificamente para processamento com GPUs.
Dentro das Transações: Como Estão Sendo Avaliados os Ativos
A estrutura de preços para transações de data centers varia drasticamente conforme a qualidade da energia disponível e a localização geográfica. Em cenários competitivos onde a eletricidade é de alta qualidade e o local é strategicamente viável, o valor por megawatt pode atingir patamares impressionantes. Nardini relata ter presenciado processos de negociação com avaliações superiores a $400 mil por megawatt, com potencial para chegar a $450 mil por megawatt dependendo das dinâmicas finais de negociação. Em transações anteriores, esse patamar elevou-se ainda mais, alcançando de $500 mil a $550 mil por megawatt.
Contrasta com essa realidade o mercado de localidades problemáticas ou menos atrativas, onde ofertas “lowball” situam-se entre $100 mil e $250 mil por megawatt. Compradores neste segmento apreciam o acesso à energia, mas desconsideram factores como a qualidade do mercado regional ou a viabilidade do local para aplicações de tecnologia de ponta.
O universo de participantes nessas transações expandiu-se significativamente. Os compradores tradicionais—mineradores de Bitcoin, hyperscalers (grandes corporações de tecnologia como Amazon e Meta) e empresas de IA emergentes—continuam ativos. Porém, o lado vendedor agora incorpora atores além do ecossistema cripto nativo, incluindo operadores de instalações industriais tradicionais que reconhecem o valor da energia que possuem. Nardini descreveu um caso onde uma instalação industrial com 160 anos de existência tornou-se atrativa precisamente por sua capacidade energética, independentemente das condições de mercado locais.
Em outro exemplo revelador, um vendedor privado de um ativo semelhante atraiu interesse de aproximadamente 25 potenciais compradores em busca de acordos de confidencialidade, incluindo mineradores de Bitcoin, hyperscalers multinacionais e startups de IA. Essa concentração de interesse ilustra a escassez de capacidade desejável no mercado.
Dentro da Realidade do Mercado: Por Que a Demanda Não Diminui
Após o halving do Bitcoin—evento que reduz pela metade as recompensas de mineração—os operadores enfrentaram pressão nas margens mesmo com o preço próximo ou acima de US$ 100 mil. Esta pressão catalisou uma reposicionamento estratégico: diversificar receitas através da hospedagem de hardware de IA e serviços de computação de alto desempenho em data centers existentes. Essa reorientação impulsionou ganhos expressivos em ações de mineração de Bitcoin durante 2025, conforme o entusiasmo em torno de IA varreu os mercados globais.
As preocupações sobre avaliações elevadas e fundamentos incertos erodiram valor de mercado de grandes nomes tecnológicos no início de 2026, com investors realizando lucros em empresas como Nvidia. Até mesmo CoreWeave, especialista em infraestrutura de IA, viu suas ações recuarem mais de 50% do pico atingido meses antes. Porém, essas flutuações de preço não refletem redução na demanda por capacidade real de data centers.
A lógica de Nardini para manter otimismo é operacionalista e desarmante em sua simplicidade. Os executivos que ele consulta responderam consistentemente com “sim” às perguntas fundamentais: Existe demanda pela capacidade construída? Possuem inquilinos? São inquilinos de qualidade? Conseguem tarifas atrativas? A mensagem consolidada é invariavelmente a mesma: “A demanda persiste.”
Um caso concreto reforça essa avaliação: Hut 8 viu suas ações subirem 20% após assinalar um contrato de arrendamento de 15 anos avaliado em US$ 7 bilhões com FluidStack, garantindo 245 megawatts de capacidade de TI em seu campus River Bend. Apesar das flutuações recentes no mercado de ações, essas empresas de infraestrutura recebem múltiplos de avaliação elevados e conseguem captar capital em condições atrativas.
Dentro do Futuro: Perspectivas para 2026
Olhando para o próximo ano, o cenário mantém potencial favorável para ativos de risco caso as taxas de juros recuem, criando o que Nardini descreve como um “ambiente de risco ativo”—condição que aceleraria a conclusão de transações em seu setor. Embora reconheça defender parcialmente seus interesses profissionais, Nardini baseia seu otimismo na realidade operacional que coleta diretamente de executivos: inquilinos continuam presentes, preços permanecem robustos, e quando um cliente potencial recusa um espaço, sempre há outro na fila disposto a aceitar.
A ressalva crítica que Nardini apresenta é também a mais simples: se os desenvolvedores de data centers não conseguissem alugar o que construem, ou se não obtivessem os preços necessários para viabilidade, esse seria o momento para preocupação legítima. Por enquanto, essa situação não se materializa. “A estrutura fundamental do negócio permanece intacta,” conclui.
A convergência de fatores—compradores ávidos por energia, vendedores obtendo excelentes avaliações para seus ativos, inquilinos com crédito sólido pagando tarifas robustas—reforça a convicção de que o dinamismo do mercado de IA e mineração de Bitcoin, apesar das volatilidades superficiais, continua oferecendo oportunidades significativas para investidores e operadores alinhados com a transformação digital global.
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Dentro dos Negócios Rentáveis de Data Centers: O Que Significa a Persistência do Mercado de IA
O mercado de infraestrutura de data centers segue em pleno funcionamento, desafiando as previsões pessimistas sobre o fim da onda de investimento em inteligência artificial. Enquanto os temores em torno de uma possível bolha de IA têm impactado significativamente os preços de ações tecnológicas, a realidade operacional nos bastidores conta uma história diferente. Mineradores de Bitcoin e desenvolvedores de centros de dados continuam competindo agressivamente por megawatts de energia, mantendo um dinamismo que se reflete nos lucros substanciais das transações de M&A (fusões e aquisições) que ocorrem silenciosamente em Wall Street.
De acordo com Joe Nardini, chefe de banco de investimento da B. Riley Securities, a razão é simples e fundamental: as pessoas ainda precisam de energia. “O trabalho de fusões e aquisições continua ativo, pois empresas de tecnologia, mineradores e desenvolvedores de IA precisam de capacidade de potência,” destaca Nardini. A demanda por energia oriunda de operações de mineração de Bitcoin persiste em níveis “enormes”, mas é ofuscada pela procura ainda maior proveniente de aplicações de inteligência artificial e computação de alto desempenho (HPC). Os dados operacionais coletados de clientes de data centers e mineração indicam uma solicitação sustentada por instalações preparadas especificamente para processamento com GPUs.
Dentro das Transações: Como Estão Sendo Avaliados os Ativos
A estrutura de preços para transações de data centers varia drasticamente conforme a qualidade da energia disponível e a localização geográfica. Em cenários competitivos onde a eletricidade é de alta qualidade e o local é strategicamente viável, o valor por megawatt pode atingir patamares impressionantes. Nardini relata ter presenciado processos de negociação com avaliações superiores a $400 mil por megawatt, com potencial para chegar a $450 mil por megawatt dependendo das dinâmicas finais de negociação. Em transações anteriores, esse patamar elevou-se ainda mais, alcançando de $500 mil a $550 mil por megawatt.
Contrasta com essa realidade o mercado de localidades problemáticas ou menos atrativas, onde ofertas “lowball” situam-se entre $100 mil e $250 mil por megawatt. Compradores neste segmento apreciam o acesso à energia, mas desconsideram factores como a qualidade do mercado regional ou a viabilidade do local para aplicações de tecnologia de ponta.
O universo de participantes nessas transações expandiu-se significativamente. Os compradores tradicionais—mineradores de Bitcoin, hyperscalers (grandes corporações de tecnologia como Amazon e Meta) e empresas de IA emergentes—continuam ativos. Porém, o lado vendedor agora incorpora atores além do ecossistema cripto nativo, incluindo operadores de instalações industriais tradicionais que reconhecem o valor da energia que possuem. Nardini descreveu um caso onde uma instalação industrial com 160 anos de existência tornou-se atrativa precisamente por sua capacidade energética, independentemente das condições de mercado locais.
Em outro exemplo revelador, um vendedor privado de um ativo semelhante atraiu interesse de aproximadamente 25 potenciais compradores em busca de acordos de confidencialidade, incluindo mineradores de Bitcoin, hyperscalers multinacionais e startups de IA. Essa concentração de interesse ilustra a escassez de capacidade desejável no mercado.
Dentro da Realidade do Mercado: Por Que a Demanda Não Diminui
Após o halving do Bitcoin—evento que reduz pela metade as recompensas de mineração—os operadores enfrentaram pressão nas margens mesmo com o preço próximo ou acima de US$ 100 mil. Esta pressão catalisou uma reposicionamento estratégico: diversificar receitas através da hospedagem de hardware de IA e serviços de computação de alto desempenho em data centers existentes. Essa reorientação impulsionou ganhos expressivos em ações de mineração de Bitcoin durante 2025, conforme o entusiasmo em torno de IA varreu os mercados globais.
As preocupações sobre avaliações elevadas e fundamentos incertos erodiram valor de mercado de grandes nomes tecnológicos no início de 2026, com investors realizando lucros em empresas como Nvidia. Até mesmo CoreWeave, especialista em infraestrutura de IA, viu suas ações recuarem mais de 50% do pico atingido meses antes. Porém, essas flutuações de preço não refletem redução na demanda por capacidade real de data centers.
A lógica de Nardini para manter otimismo é operacionalista e desarmante em sua simplicidade. Os executivos que ele consulta responderam consistentemente com “sim” às perguntas fundamentais: Existe demanda pela capacidade construída? Possuem inquilinos? São inquilinos de qualidade? Conseguem tarifas atrativas? A mensagem consolidada é invariavelmente a mesma: “A demanda persiste.”
Um caso concreto reforça essa avaliação: Hut 8 viu suas ações subirem 20% após assinalar um contrato de arrendamento de 15 anos avaliado em US$ 7 bilhões com FluidStack, garantindo 245 megawatts de capacidade de TI em seu campus River Bend. Apesar das flutuações recentes no mercado de ações, essas empresas de infraestrutura recebem múltiplos de avaliação elevados e conseguem captar capital em condições atrativas.
Dentro do Futuro: Perspectivas para 2026
Olhando para o próximo ano, o cenário mantém potencial favorável para ativos de risco caso as taxas de juros recuem, criando o que Nardini descreve como um “ambiente de risco ativo”—condição que aceleraria a conclusão de transações em seu setor. Embora reconheça defender parcialmente seus interesses profissionais, Nardini baseia seu otimismo na realidade operacional que coleta diretamente de executivos: inquilinos continuam presentes, preços permanecem robustos, e quando um cliente potencial recusa um espaço, sempre há outro na fila disposto a aceitar.
A ressalva crítica que Nardini apresenta é também a mais simples: se os desenvolvedores de data centers não conseguissem alugar o que construem, ou se não obtivessem os preços necessários para viabilidade, esse seria o momento para preocupação legítima. Por enquanto, essa situação não se materializa. “A estrutura fundamental do negócio permanece intacta,” conclui.
A convergência de fatores—compradores ávidos por energia, vendedores obtendo excelentes avaliações para seus ativos, inquilinos com crédito sólido pagando tarifas robustas—reforça a convicção de que o dinamismo do mercado de IA e mineração de Bitcoin, apesar das volatilidades superficiais, continua oferecendo oportunidades significativas para investidores e operadores alinhados com a transformação digital global.