Solana versus Layer 2s: Por que a R3 aposta na blockchain Solana para tokenização institucional

A decisão da R3 de escolher Solana como sua base estratégica sinaliza uma mudança profunda no pensamento das instituições financeiras sobre qual infraestrutura blockchain melhor serve aos mercados de capitais digitalizados. Enquanto Layer 2s construídas sobre Ethereum dominam em volume de valor bloqueado, Solana emergiu como a plataforma preferida para operações de alta frequência, liquidação rápida e custos negligenciáveis—características críticas para ativos institucionais de alto rendimento.

Após mais de uma década construindo soluções de infraestrutura para bolsas, bancos centrais e instituições financeiras globais, a R3 enfrentou uma questão estratégica: em um mercado onde centenas de bilhões em ativos do mundo real começam a migrar para a cadeia, qual blockchain oferece as melhores condições para que esses ativos funcionem de verdade para investidores institucionais?

Solana como a plataforma preferida: além da comparação com Layer 2s

Ethereum e suas soluções de Layer 2 ainda dominam em valor total bloqueado (TVL), mantendo uma vantagem significativa em diversidade de aplicações e profundidade de liquidez. No entanto, Solana construiu um ecossistema notavelmente diferente. Com mais de $9 bilhões em TVL e capacidade de processar milhares de transações por segundo a custos praticamente nulos, Solana criou um ambiente onde negociações de alta frequência, liquidações instantâneas e operações de formato complexo tornam-se viáveis.

Todd McDonald, um dos fundadores da R3, explicou em entrevista que a empresa avaliou praticamente todas as principais layer ones e layer twos disponíveis. A conclusão foi que Solana oferecia não apenas superioridade técnica, mas uma visão filosófica alinhada com mercados de capitais institucionais: “Vimos a Solana como a Nasdaq das blockchains—uma infraestrutura construída especificamente para mercados de alto desempenho, não para experimentação especulativa.”

Essa escolha estratégica, anunciada em maio de 2025 na conferência Accelerate, reflete a convicção de que todos os mercados eventualmente migrarão para redes onchain. Mas não qualquer rede: Solana emergiu como o destino preferido para instituições que buscam combinar liquidez, velocidade e custos operacionais minimizados.

O verdadeiro gargalo: liquidez, não tokenização

A R3 observou algo crucial após meses analisando o mercado de ativos reais tokenizados: o problema não é converter ativos em tokens—isso a tecnologia já resolve há anos. O verdadeiro desafio é criar liquidelidade suficiente para que esses ativos funcionem como colateral em protocolos DeFi e como instrumentos de investimento viáveis para os alocadores onchain.

Isso significa ir além de emitir um token e redesenhar completamente como esse ativo se comporta na cadeia. Um ativo que possui rendimento de 10% ao ano, mas zero liquidez e impossibilidade de ser usado como garantia em empréstimos, permanece inatraente. O coração pulsante do DeFi é o empréstimo e o crédito—e qualquer ativo institucional que queira participar dessa economia precisa funcionar dentro desses mecanismos.

Hoje, a maioria dos ativos tokenizados enfrenta restrições severas. Liquidez limitada, permissões rígidas, incompatibilidade com protocolos de empréstimo e a incapacidade de serem compostos com outros instrumentos DeFi criam barreira às investimentos. McDonald ressaltou que: “o momento decisivo acontecerá quando um ativo do mundo real tokenizado puder ser tratado como garantia confiável, totalmente integrado à economia DeFi.”

A estratégia da R3: crédito privado e financiamento comercial

Em vez de forçar demanda criando produtos que ninguém quer, a R3 decidiu partir de onde o apetite onchain já existe. Entre investidores sofisticados e fundos, há crescente demanda por rendimentos estáveis e menos correlacionados às volatilidades dos mercados de criptomoedas.

A empresa está priorizando dois pilares de ativos de alto rendimento:

Crédito privado: instrumentos que ofereçam retornos em torno de 10% atraem a atenção de alocadores onchain habituados a rendimentos especulativos. O desafio é estruturar esses produtos de forma que equilibrem retorno atrativo, acesso a liquidez sob demanda (quando possível) e compatibilidade com protocolos DeFi existentes. No mercado tradicional, crédito privado oferece liquidez “com hora marcada”—trimestral, semestral. A R3 busca redesenhar esses produtos para ambientes onchain.

Financiamento comercial: esse é um mercado gigantesco e pouco explorado em DeFi. Financiamento ao comércio (trade finance) movimenta trilhões globalmente, mas permanece opaco, fragmentado entre jurisdições, com contratos customizados e padrões de dados irregulares. Para instituições tradicionais, a tokenização representa um novo canal de distribuição e um modelo alternativo de formação de capital. Para alocadores de DeFi, a demanda por esses produtos é potencialmente enorme.

Protocolo Corda: transformando ativos ilíquidos em instrumentos DeFi

Construído nativamente em Solana, o Protocolo Corda representa a operacionalização dessa estratégia. Lançando no primeiro semestre de 2026, oferecerá uma estrutura de “cofres de rendimento” lastreados em ativos reais, profissionalmente selecionados, que emitem tokens resgatáveis e negociáveis.

Os detentores de stablecoins terão acesso direto a instrumentos de dívida tokenizados, fundos de resseguro e títulos, tudo mantendo liquidez e composabilidade compatível com o padrão DeFi. O protocolo integra-se com os principais curadores e protocolos de empréstimo, viabilizando que esses ativos funcionem imediatamente como colateral em operações alavancadas.

Em um sinal da intensidade dessa demanda, o Protocolo Corda já acumula mais de 30 mil pré-registros. A resposta do mercado valida a tese de que investidores estão prontos para essa transição.

O futuro: quando Wall Street e DeFi finalmente convergem

A R3 já trabalha com gestores de investimentos renomados e proprietários de ativos—desde fábricas até transportadoras marítimas—que enxergam tokenização como oportunidade real. A empresa suporta mais de $10 bilhões em ativos através de sua plataforma Corda tradicional, com clientes como HSBC, Bank of America, Banco da Itália, Autoridade Monetária de Cingapura, Banco Nacional Suíço e Euroclear.

Mas a verdadeira oportunidade está em trazer essa expertise institucional para Solana—em escala. McDonald deixou clara a ambição: “Nosso objetivo é fechar a lacuna entre Wall Street e os mercados onchain. Trazer ativos de qualidade institucional para a blockchain de uma forma que finalmente faça sentido para o DeFi, e trazer capital offchain para redes onchain em escala sem precedentes.”

Para isso funcionar, será necessário mais diversidade de players dispostos a colocar capital em trabalho onchain, além de mecanismos de resgate mais flexíveis que ofereçam aos investidores opções genuínas entre liquidez e rendimento. A escolha de Solana não foi apenas técnica—foi estratégica. Enquanto Layer 2s continuam dominando em TVL agregado, Solana provou ser o ambiente onde instituições conseguem operar com a velocidade, eficiência e custo-benefício que mercados de capitais modernos exigem.

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