Tempestade Perfeita: Quando o "Impacto Wosh" encontra a "Sombra Epstein" — O que o mundo dos ativos está a viver?



Desde a queda épica do ouro e prata até à instabilidade das ações americanas, uma crise de liquidez entre mercados está a emergir

1. Black Weekend: A Corrida de Vários Ativos em Massa

No primeiro fim de semana de fevereiro de 2025, os mercados financeiros globais viveram uma verdadeira "tempestade perfeita".

O mercado de metais preciosos foi o primeiro a desencadear a crise. Em 30 de janeiro, o preço internacional do ouro caiu abruptamente de perto de 5600 dólares/onça, com uma queda diária superior a 10%, atingindo a maior queda diária desde os anos 80; a prata despencou mais de 26%, chegando a cair abaixo de 80 dólares/onça durante o dia, batendo recorde de maior queda diária na história. Até 2 de fevereiro, o ouro à vista caiu abaixo de 4700 dólares/onça, uma perda de quase 1100 dólares em relação ao pico.

O mercado de criptomoedas seguiu-se rapidamente. O Bitcoin caiu abaixo de 75.000 dólares no fim de semana, atingindo um novo mínimo de curto prazo, rompendo o suporte do preço de realização ativo de 87.000 dólares.

Os futuros de ações nos EUA também sofreram pressão. Antes da abertura em 2 de fevereiro, os futuros do Nasdaq caíram quase 1%, o S&P 500 recuou do pico, e o índice de medo VIX subiu para 17,44, indicando uma mudança clara para uma postura mais cautelosa.

Esta foi uma venda cruzada rara entre diferentes classes de ativos, impulsionada por uma série de riscos macroeconómicos concentrados.

2. Tripla Chamada de Atenção: A Espiga que Derruba o Mercado

Primeira: Nomeação de Wosh — O paradoxo da política de "baixos juros hawkish"

Em 30 de janeiro, Trump nomeou oficialmente Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve.

Quem é Wosh? Entre 2006 e 2011, enquanto era conselheiro do Fed, foi um firme opositor do quantitative easing. Quando o Fed iniciou a segunda rodada de QE em 2011, ele renunciou em protesto. Defendia que o Fed precisava de uma "transformação institucional", reduzindo o enorme balanço, mesmo que isso implicasse políticas de aperto.

Curiosamente, Wosh recentemente propôs, em uma coluna do Wall Street Journal, um compromisso de "baixa de juros limitada + redução do balanço" — interpretado por muitos como uma política hawkish de "baixos juros": aparentemente alinhada com os pedidos de Trump, mas na prática, recuperando liquidez via redução do balanço.

Este conjunto de políticas teve um impacto fatal no mercado. A queda do ouro e prata foi consequência direta: o mercado esperava que o novo presidente adotasse uma combinação de "redução de juros + expansão do balanço", mas a nomeação de Wosh mudou completamente essa expectativa.

Segunda: Arquivos Epstein — O "cisne negro" do risco político

Ainda mais preocupante foi a divulgação contínua, no último fim de semana, dos "arquivos Epstein". Mais de 3 milhões de páginas de documentos envolveram Wosh — seu nome aparece na lista de convidados de uma festa de Natal na Ilha de Saint Bart em 2010.

Embora não haja provas de envolvimento em atividades ilegais, seu nome ligado a esse escândalo de proporções históricas representa um enorme passivo político. Num ambiente econômico já controverso, esse evento tornou ainda mais difícil a confirmação de sua nomeação.

A incerteza política está a transformar-se em risco de prêmio de risco de mercado.

Terceira: Política tarifária — A "espada de Dâmocles" da guerra comercial

A administração Trump continua a intensificar a política de tarifas. Em 1 de fevereiro de 2025, assinou uma ordem executiva impondo uma tarifa de 10% sobre produtos chineses, sob a alegação de questões de fentanilo, e tarifas de 25% sobre produtos do México e Canadá (10% em energia). Em 4 de fevereiro, a China retaliou rapidamente, aumentando tarifas de 15% sobre carvão e gás natural liquefeito, e de 10% sobre petróleo e maquinaria agrícola.

Se uma nova rodada de tarifas ampliar o alcance, não só prejudicará a confiança do consumidor e os lucros das empresas, como também poderá agravar ainda mais o enorme défice fiscal. Estima-se que, até os primeiros três meses de 2026, o défice orçamental dos EUA atingirá 601 mil milhões de dólares.

3. Buraco Negro de Liquidez: A Cadeia de Contágio de Commodities às Ações

O núcleo desta tempestade é a liquidação forçada de posições alavancadas, que provoca uma transmissão de liquidez.

O "espiral da morte" no mercado de commodities

A queda do ouro e prata não resulta de deterioração fundamental, mas de uma típica corrida de liquidez:

1. Negociações excessivas: Em apenas um mês de 2026, o ouro subiu quase 30%, a prata duplicou, o RSI ultrapassou 93, e as posições atingiram máximos históricos

2. Aumento de margem: CME aumentou a margem de futuros de ouro de 6% para 8%, e de prata de 11% para 15% em 2 de fevereiro

3. Liquidação forçada: investidores com posições alavancadas foram liquidados em massa num curto espaço de tempo, com perdas de até 140 milhões de dólares em futuros tokenizados em 24 horas

4. Venda cruzada entre mercados: investidores, para cobrir margens, tiveram que vender ativos de outros mercados, propagando o risco de contágio

Este tipo de "corrida de massa" é estatisticamente um evento extremo de nível "7 sigma" — uma ocorrência rara que só acontece uma vez em uma era geológica.

Crise técnica nas ações americanas

Do ponto de vista técnico, o Nasdaq tem estado a oscilar em alta há três meses, formando um padrão de cunha ascendente. Agora, a linha de tendência de alta foi quebrada pela segunda vez, prejudicando a confiança do mercado.

Se o fecho diário de hoje ficar abaixo do ponto mais baixo anterior, formando um "mínimo mais baixo" (Lower Low), uma tendência de queda mais ampla poderá então iniciar-se.

Ainda mais perigoso é o surgimento de fissuras na narrativa de IA. A fraqueza recente do Nasdaq, especialmente no setor de software, que se tornou o mais sobrevendido do S&P 500, indica que o entusiasmo pelo AI está a arrefecer. Os investidores começam a perceber que a concretização comercial e a rentabilidade do AI serão mais longas do que se imagina.

----

4. O Fantasma de 1979: Estagflação e Dilema de Política

O atual ambiente geopolítico e macroeconómico tem uma surpreendente semelhança com 1979.

Naquele ano, a invasão soviética do Afeganistão, a Revolução Iraniana e a segunda crise do petróleo mergulharam a economia global na "estagflação". Na altura, o Federal Reserve, sob pressão política, não conseguiu agir de forma decisiva, levando à inflação descontrolada. Só com a forte subida de juros de Paul Volcker, em uma política de "choque", foi possível conter a inflação, pagando um alto preço de recessão profunda.

Hoje, enfrentamos uma situação semelhante:

• Tensão geopolítica no Médio Oriente: Dados do Polymarket indicam que a probabilidade de os EUA atacarem o Irã até ao final do mês subiu para 31%

• Oscilação nos preços de energia: o petróleo caiu 5,51%, para 61,62 dólares por barril, mas o risco de risco geopolítico ainda se acumula

• Persistência da inflação: o núcleo do PPI dos EUA em dezembro de 2025 ficou acima do esperado, indicando que a inflação está a se incorporar na economia

• Risco de intervenção política: possíveis intervenções do governo Trump na independência do Fed, lembrando os erros de política do passado

A taxa de juro dos títulos do Tesouro a 10 anos subiu para 4,218%, enquanto os juros anuais da dívida pública ultrapassaram 1 trilhão de dólares. Se a história se repetir, políticas de aperto agressivo para controlar a inflação podem acabar por encerrar o ciclo de alta.

5. Ruptura em Shenzhen Water Bay: A Tempestade chega à China

A crise de liquidez global já atingiu a China.

Várias lojas de ouro em Shenzhen Water Bay enfrentaram "ruptura" devido a negociações de futuros de ouro sem licença, com valores envolvidos que podem chegar a centenas de milhões de yuan, afetando milhares de investidores. Essas lojas operam com um modelo de "gestão de clientes", prometendo altos rendimentos fixos, mas na verdade fazem negociações de futuros de ouro no exterior com alta alavancagem.

Quando o preço internacional do ouro despencou, essas posições alavancadas foram forçadas a liquidar, impossibilitando o pagamento do principal aos clientes, levando à falência. Isto revela:

1. Arbitragem regulatória: algumas instituições aproveitam diferenças regulatórias entre países para fazer especulação com alta alavancagem

2. Falta de educação dos investidores: investidores comuns não compreendem os riscos de alavancagem em futuros

3. Propagação de risco transfronteiriço: a volatilidade internacional transmite-se rapidamente por canais não regulamentados ao mercado interno

----

6. Perspetivas Futuras: Procurando Âncoras na Incerteza

Curto prazo (1-3 meses): O mercado entrará numa fase de alta volatilidade. O Bitcoin pode testar a faixa de 70.000-75.000 dólares, e as ações americanas, se formarem um "mínimo mais baixo", podem desencadear uma venda em cadeia algorítmica. O índice VIX pode subir ainda mais.

Médio prazo (3-6 meses): O fator decisivo será a implementação real das políticas de Wosh. Se ele realmente promover "baixos juros hawkish", a liquidez global será efetivamente apertada, podendo ocorrer uma reavaliação dos ativos de risco. Mas, se a postura política se suavizar, o mercado poderá recuperar.

Longo prazo (mais de 6 meses): Os fatores estruturais permanecem inalterados. A procura global por ouro pelos bancos centrais, a tendência de desdolarização, e a crise de confiança na moeda, com taxas de juro reais negativas nos EUA, continuam a sustentar a tendência de alta do ouro. A forte queda atual é mais uma libertação de bolha especulativa do que o fim de um ciclo de alta.

Para os investidores, este pode ser o momento de reavaliar a estratégia de "ouro como âncora de risco". Como já partilhou anteriormente, uma alocação de 30%-40% em ouro pode ser uma proteção valiosa neste cenário.

Conclusão: Pensamentos no Olho da Tempestade

Desde a queda épica do ouro e prata, ao colapso do Bitcoin, até à instabilidade das ações, o mercado está a passar por uma crise global de desendeusamento.

Quando investidores são forçados a liquidar posições alavancadas, para cobrir margens, acabam por vender ativos de outros mercados, propagando o risco de contágio. Se esta escassez de liquidez persistir, o próximo ativo a ser vendido poderá ser as ações de alta avaliação.

A nomeação de Wosh e a divulgação dos arquivos Epstein foram apenas a última gota. A verdadeira questão é: após o fim da era de liquidez abundante, como será o mercado a reavaliar o risco?

O fantasma de 1979 assombra-nos, mas a história não se repete de forma simples. Para os investidores, manter a calma durante a tempestade e procurar âncoras na volatilidade pode ser a única forma de atravessar o ciclo.

Como vê esta crise de liquidez entre mercados? É uma correção de curto prazo ou um prenúncio de risco sistémico? Partilhe a sua opinião nos comentários!

Se achou este artigo útil, deixe um like, guarde, partilhe, para que mais pessoas vejam a verdade do mercado. Siga-nos para não se perder e receber análises aprofundadas de mercado em primeira mão!

Aviso legal: Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento de investimento. Os mercados financeiros são altamente voláteis, decida com cautela de acordo com o seu perfil de risco.

#加密市场回调 $BTC
BTC0,98%
Ver original
post-image
post-image
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
  • Recompensa
  • Comentar
  • Republicar
  • Partilhar
Comentar
0/400
Nenhum comentário
  • Fixar

Negocie cripto em qualquer lugar e a qualquer hora
qrCode
Digitalizar para transferir a aplicação Gate
Novidades
Português (Portugal)
  • 简体中文
  • English
  • Tiếng Việt
  • 繁體中文
  • Español
  • Русский
  • Français (Afrique)
  • Português (Portugal)
  • Bahasa Indonesia
  • 日本語
  • بالعربية
  • Українська
  • Português (Brasil)