Histórico de 5 quedas de preço do ouro: Da década de 1980 até 2016

O preço do ouro nem sempre aumenta. Na história, há cinco períodos importantes em que o preço do ouro caiu drasticamente, e cada um deles teve causas económicas profundas por trás. Desde os anos 1980 até 2016, testemunhámos oscilações económicas globais que fizeram com que o preço do ouro — ativo considerado um “refúgio seguro” — também não escapasse à tendência de queda.

Período 1980-1982: Queda livre do ouro em meio à luta contra a inflação

A primeira queda ocorreu de setembro de 1980 a junho de 1982. Nesse período de quase dois anos, o preço do ouro despencou 58,2% — uma redução bastante significativa. Na altura, países desenvolvidos, especialmente os Estados Unidos, estavam focados em controlar uma inflação recorde através do aperto da política monetária.

Quando a inflação foi controlada, a procura por ativos refugio como o ouro também diminuiu. Além disso, a crise do petróleo começou a diminuir, e os investidores já não sentiam necessidade de manter ouro como reserva de valor. Assim, o preço do ouro entrou numa fase de declínio prolongado.

1985 e o período 1983-1985: Quando a economia mundial entrou em silêncio

Após uma breve recuperação, o preço do ouro voltou a cair a partir de fevereiro de 1983, continuando a perder valor até janeiro de 1985. Este período registou uma queda de 41,35%. 1985 tornou-se um ano marcante na história do ouro, pois o mundo entrou numa fase de grande estagnação. A economia internacional já não apresentava grandes riscos; os países desenvolvidos prosperavam gradualmente e a estabilidade política aumentava.

Com a procura por refúgio do ouro a diminuir e os investidores a procurar lucros com o crescimento económico em vez de proteger ativos, o preço do ouro continuou a ser pressionado para baixo. Esta é uma lição do ciclo económico: quando a economia está forte, o ouro deixa de ser prioridade.

Crise de 2008: Queda livre do ouro em meio à tempestade financeira global

A terceira queda ocorreu de março a outubro de 2008, com uma redução de 29,5%. Este período foi marcado pelo estouro da crise hipotecária — um dos eventos económicos mais destrutivos da história. Ao mesmo tempo, sinais de crise na dívida europeia começaram a surgir, levando à retirada de capitais dos mercados.

Contraditoriamente, quando os mercados financeiros estavam em queda livre, o ouro — considerado o ativo refugio por excelência — também foi vendido em massa. Isso aconteceu porque as instituições de investimento precisavam de liquidez urgente. Além disso, o Federal Reserve começou a aumentar as taxas de juro para combater a crise, tornando o ouro, um ativo que não gera rendimento, menos atrativo.

Período 2012-2015: Queda do ouro enquanto o capital se desloca para outros mercados

A quarta queda ocorreu de setembro de 2012 a novembro de 2015, com uma redução de 39%. Este período foi também marcado por um evento especial: o escândalo de 80 toneladas de ouro, uma fraude que ainda é lembrada pelos investidores.

Na realidade, a principal causa da queda do ouro nesta altura foi uma mudança na mentalidade dos investidores. Em 12 de abril de 2013, o preço do ouro caiu drasticamente. Após esse evento, grandes fluxos de capital começaram a direcionar-se para o mercado de ações e o mercado imobiliário, onde há maior potencial de crescimento. A procura por investimento em ouro não foi suficiente para sustentar o preço, que entrou numa fase de declínio prolongado.

2016: Queda de 16,6% do ouro antes da previsão de aumento das taxas de juro nos EUA

A quinta queda ocorreu de julho a dezembro de 2016, com uma redução de 16,6%. Na altura, os investidores esperavam que os EUA continuassem a aumentar as taxas de juro. Com o aumento das taxas, ativos que geram rendimento (como títulos do Tesouro e obrigações) tornaram-se mais atrativos do que o ouro — ativo que apenas armazena valor sem gerar rendimento.

Simultaneamente, o crescimento económico global mostrava sinais positivos. Nesse contexto, os investidores começaram a vender ouro para procurar oportunidades de maior retorno. Assim, o preço do ouro continuou a cair.

Lições da história do preço do ouro

As fases de queda do ouro não são acidentais, mas resultado de mudanças globais na política monetária, na psicologia dos investidores e nas perspetivas económicas. Quando a economia está forte, a procura por refúgio diminui; quando as taxas de juro sobem, o ouro torna-se menos atrativo. Compreender estas regras ajuda os investidores a ter uma visão mais ampla do papel do ouro na carteira de investimentos.

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