Percebi que ultimamente as ameaças quânticas ao Bitcoin têm sido discutidas com mais frequência, especialmente quando o mercado começa a oscilar. As pessoas procuram razões para o pânico, e os computadores quânticos tornaram-se um bode expiatório conveniente. Mas a CoinShares publicou um relatório que um pouco refreou esses medos.



A questão é que o perigo é claramente exagerado. Sim, aproximadamente 1,6 milhões de bitcoins estão armazenados em endereços antigos P2PK, onde as chaves públicas são visíveis na blockchain. Mas isso representa apenas 8 por cento do fornecimento total. Parece ameaçador? Espere.

A CoinShares realizou uma análise mais detalhada e descobriu algo interessante. Desses 1,6 milhões, apenas cerca de 10.200 bitcoins estão concentrados em uma quantidade que realmente poderia causar sérias perturbações no mercado. O restante está distribuído entre mais de 32.000 porções diferentes, em média de 50 bitcoins cada. Isso muda radicalmente o quadro.

Imagine um invasor quântico que precise hackear milhares de endereços pequenos, em vez de roubar um grande ativo e desaparecer. Isso é mais lento, mais barulhento, menos lucrativo. Mesmo com equipamentos de última geração, o processo torna-se bem menos atraente.

Quanto aos próprios computadores quânticos, a CoinShares estima que seriam necessárias máquinas aproximadamente 100.000 vezes mais poderosas do que as atuais para quebrar a criptografia do Bitcoin. Para contexto: o Google Willow possui 105 qubits, e para um hacking real seriam necessários milhões. Isso adia a ameaça pelo menos uma década, se não mais.

Estimativas amplas de que supostamente 20 a 50 por cento de todos os bitcoins poderiam se tornar vulneráveis diluem a linha entre vulnerabilidade teórica e perigo real. São duas coisas diferentes.

Em vez de entrar em pânico, os desenvolvedores sugerem uma abordagem mais sensata: uma transição gradual para assinaturas digitais pós-quânticas. Não é uma situação de emergência, mas uma tarefa de engenharia previsível que o Bitcoin poderá resolver com o tempo. Propostas como o BIP-360 já estão trabalhando em formatos de carteiras para uma migração suave.

Os debates sobre essa questão revelaram uma crescente lacuna entre os desenvolvedores, que veem o problema como de longo prazo, e um capital cada vez mais institucional, que exige um plano mais claro. Mas essa é uma história para outro momento.
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