
A Africa Bitcoin, presidente executivo da empresa de Bitcoin na África, Stafford Masie, afirmou no podcast Coin Stories que, em algumas regiões do continente, o Bitcoin é uma moeda de uso diário real, e não apenas uma ferramenta de investimento — comerciantes locais “não aceitam dólares, mas aceitam Sats”, e a inflação pode atingir 4% a 5% todas as tardes.
Durante uma entrevista com a apresentadora do Coin Stories, Natalie Brunell, Masie desafiou diretamente a definição predominante de Bitcoin no Ocidente. Em mercados desenvolvidos, os investidores veem o Bitcoin como uma proteção contra a inflação e uma reserva de valor a longo prazo; mas em algumas regiões da África, o Bitcoin é uma moeda funcional usada em transações comerciais diárias.
Ele ilustra a questão com a diferença na velocidade da inflação: “Vocês falam de desvalorização da moeda, que é de 4% a 5% ao ano — e nós estamos falando de uma desvalorização de 4% a 5% em uma tarde.” Nesse contexto, ele descreve o Bitcoin como “capital primitivo” — uma base financeira que permite indivíduos e empresas acumularem riqueza: “Na África, de repente, temos algo que não pode ser desvalorizado. É imutável, descentralizado, e não pode ser confiscado. Para os africanos, isso é uma questão de vida ou morte.”
Masie também destaca que mais de um quarto da população africana tem menos de 20 anos, e as gerações mais jovens estão contornando o sistema financeiro tradicional, adotando diretamente novas tecnologias como Bitcoin e IA — um caminho muito semelhante ao rápido crescimento de telecomunicações móveis na África.
Dados da Chainalysis confirmam a descrição de Masie. De julho de 2024 a junho de 2025, o volume de transações on-chain na África Subsaariana ultrapassou US$ 205 bilhões, um aumento de 52% ao ano, sendo a terceira região de crescimento mais rápido em criptomoedas no mundo; em março de 2025, o volume mensal de transações atingiu quase US$ 25 bilhões, impulsionado pela forte desvalorização da moeda na Nigéria.
A ex-secretária-geral da ONU, Vera Songwe, afirmou na World Economic Forum em janeiro deste ano que as remessas na África superaram a importância da ajuda externa, mas que as transferências tradicionais custam cerca de US$ 6 para enviar US$ 100. Em mais de dez países com inflação superior a 20% e cerca de 650 milhões de pessoas sem conta bancária, stablecoins e Bitcoin desempenham papéis duais de canais de pagamento e reserva de valor.
Volume de transações on-chain: crescimento de 52% na África Subsaariana entre julho de 2024 e junho de 2025, ultrapassando US$ 205 bilhões
Classificação de crescimento global: terceira região de crescimento mais rápido em criptomoedas; em março de 2025, volume mensal de quase US$ 25 bilhões
Características orientadas ao varejo: mais de 8% de transações abaixo de US$ 10.000 (acima da média global de 6%)
Diferença de custos de remessas: transferências tradicionais custam cerca de US$ 6 para US$ 100, enquanto ferramentas de criptomoedas reduzem significativamente os custos
** Lacuna de inclusão financeira**: aproximadamente 650 milhões de pessoas sem conta bancária, criando um grande mercado potencial para criptomoedas
Investidores ocidentais veem o Bitcoin principalmente como uma reserva de valor de longo prazo contra a inflação; já em algumas regiões da África, a hiperinflação e a desvalorização diária ou até horária da moeda fazem do Bitcoin uma forma de troca mais estável, que pode ser usada diretamente em transações comerciais, preenchendo a lacuna deixada pelo funcionamento disfuncional das moedas fiduciárias.
Sats (Satoshi) é a menor unidade de medida do Bitcoin, sendo que 1 Bitcoin equivale a 100 milhões de Sats. Como o preço de um Bitcoin completo é alto, usar Sats em transações diárias de pequenas quantias é mais prático, ajudando o Bitcoin a circular como moeda de fato em mercados de baixa renda, semelhante ao uso de centavos em vez de reais para pequenas compras.
Os principais fatores incluem: alta inflação de moedas locais (alguns países com mais de 20%), custos elevados de remessas tradicionais (cerca de US$ 6 por US$ 100), grande quantidade de pessoas sem contas bancárias (aproximadamente 650 milhões), além de uma população jovem e alta aceitação tecnológica — mais de um quarto da população africana tem menos de 20 anos. Esses fatores impulsionam a África a ser uma das regiões de maior crescimento na adoção de criptomoedas no mundo.
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